Factos & Documentos

Nº 1745 - Inverno 2018
Publicado em Factos e Documentos por: Revista Seara Nova (autor)

PGR

O povo sabe na pele que um processo continua a demorar em tribunal mais do que a maior parte dos bolsos podem aguentar. E a ideia de que a justiça serve os ricos em vez dos pobres toca-lhe de outra forma: a justiça continua a ser mais justa para quem tem mais capacidade de pagar uma boa defesa.

Catarina Carvalho

Diário de Notícias, 23 de Setembro de 2018

 

Mundo novo na Beira Interior

Penamacor era o concelho mais envelhecido do país. Hoje, é o que tem a maior taxa de residentes estrangeiros do interior - quase 10% da população. São sobretudo ingleses, em idade ativa e em fuga do brexit. Estão a comprar quintas abandonadas, abriram uma escola internacional, trabalham online para o mundo inteiro. Há um mundo novo na Beira Interior.

Ricardo J. Rodrigues

Diário de Notícias, 14 de Outubro de 2018

 

Roubo de bebés

Se, no início, e durante a vigência do franquismo, a rede de roubo de bebés se fez para estancar a “praga” do marxismo - através da qual as mulheres republicanas presas ficavam sem os filhos que eram entregues a instituições católicas e a famílias próximas ao regime -, depois, já após a morte de Franco e da transição para a democracia, esta rede transformou-se num negócio. Os alvos já não eram comunistas mas sim mães solteiras e sem condições financeiras.

Manuel Louro

Público, 15 de Outubro de 2018

 

Implausível F.H.C.

Há qualquer coisa de implausível na neutralidade de F.H.C. Os últimos anos do PT foram profundamente infelizes, mas optar pela abstenção é incompreensível num democrata como Fernando Henrique Cardoso.

Ana Sá Lopes

Público, 21 de Outubro de 2018

 

Não deixa saudades

O curriculum de Cavaco Silva quase parece cadastro. No que toca aos maus exemplos do Portugal democrático, Cavaco Silva tem a caderneta cheia: desperdício de milhões de euros de fundos europeus, ludíbrio das famílias que perderam muitas poupanças nas promessas de um capitalismo popular e privatizações de empresas públicas estratégicas ao desbarato. (…) O processo do Banco Português de Negócios está no pódio das fraudes do século XXI e teve como grandes protagonistas os amigos e discípulos de Cavaco Silva. (…) A realidade demonstrou o quão errado estava Cavaco Silva. Era possível parar a austeridade. Não nos deixa saudades.

Pedro Filipe Soares

Público, 23 de Outubro de 2018

 

Perigosa indiferença

O historiador do nazismo Ian Kershaw já alertou há anos para o facto de a estrada para o Holocausto ter sido construída pelos nazis, mas pavimentada pela indiferença.

Irene Flunser Pimentel

Público, 23 de Outubro de 2018

 

Memória curta

Cavaco esteve contra a troika e ninguém se lembra. A coisa mais curta que há em política é a memória, e a coisa mais comprida é o narcisismo de alguns dos seus agentes. Cavaco Silva, um exemplo acabado de político autocentrado, narcisista e auto-suficiente, vem agora expor na praça pública as conversas privadas que teve em nome do Estado português.

Ana Sá Lopes

Público, 25 de Outubro de 2018

 

Autodestruição das elites políticas brasileiras

A eleição de Jair Bolsonaro aconteceu sem surpresa e não apenas por causa da sua vitória categórica na primeira volta ou devido às sondagens que o colocavam a grande distância de Fernando Haddad. Depois de tantos escândalos, da espiral de violência, de crises que foram da economia à ética, de uma destituição (a de Dilma Rousseff) aprovada por um congresso minado pela corrupção, não surpreende que os brasileiros elejam um Presidente que não resiste sequer ao teste da decência mínima que se exige a qualquer cidadão.

Manuel Carvalho

Público, 28 de Outubro de 2018

 

Populismo inimigo da democracia

O populismo é uma organização ideológica que fomenta o ódio, a vingança, a perseguição, o medo e o terror. O populismo e os seus seguidores são uma ameaça ao estado de direito e representam um perigo para a democracia, para a liberdade, para os direitos humanos, para a justiça e para a paz no mundo.

Sérgio Oliveira

Revista Dependências, Outubro de 2018

 

Morte e fome no Iémen

O Iémen sobrevive mergulhado numa guerra entre diferentes ramos do Islão. Num frente-a-frente entre houthis (xiitas) e salafistas (sunitas) que parece não ter fim, é quem vem do lado que desempenha um papel ativo. Sem pudores em bombardear posições de rebeldes houtis no norte do país, a Arábia Saudita vai contribuindo, como o rival Irão, para os inevitáveis danos colaterais. Morte e fome. Amal era só uma das 1,8 milhões de crianças iemenitas severamente subnutridas, num país onde oito milhões de cidadãos dependem de rações de comida de emergência (e a ONU alerta que o número pode subir para 14 milhões em breve - metade da população total).

Rita Salcedas

Jornal de Notícias, 2 de Novembro de 2018

 

Fake news

As fake news são mais utilizadas por sectores de extrema-direita (ou alt-right), não só em Portugal mas no mundo inteiro. Há trabalhos académicos que o demonstram. (…) Há um setor político específico que usa esta estratégia - chama-se populismo nacionalista e quer derrotar tanto a esquerda como a direita que conhecemos.

Paulo Pena

Diário de Notícias, 5 de Novembro de 2018

 

Curral das Freiras

O procedimento, burocrático, enquadrado na reorganização da rede escolar da região autónoma (da Madeira), esvaziou a autonomia de uma escola que, em cinco anos, saltou dos lugares mais baixos do ranking regional para as posições cimeiras do país.

Márcio Berenguer

Público, 5 de Novembro de 2018

 

Angola

Angola é deles e Portugal é nosso, Angola precisa de Portugal na mesma medida em que Portugal precisa de Angola: é na normalidade diplomática que os dois países poderão reafirmar o que têm de comum. Tudo o resto é conversa patrioteira ou ressabiada.

Manuel Carvalho

Público, 23 de Novembro de 2018

 

Juízes

A Constituição de 1976 considera os Tribunais, e não especificamente os juízes, como órgãos de soberania (além do Presidente da República, da Assembleia da República e do Governo – art.º 110) com competência para "administrar justiça em nome do povo” – art.º 202. Se os juízes integram o órgão de soberania Tribunais, para o exercício dessa competência tornam-se necessários os advogados nos casos em que é legalmente imprescindível o patrocínio forense (art.º 208) e o Ministério Público (art.º 219). Não é um exercício solitário!

Alfredo José de Sousa

Público, 28 de Novembro de 2018

Ver todos os textos de REVISTA SEARA NOVA