Factos & Documentos

Nº 1744 - Outono 2018
Publicado em Factos e Documentos por: Revista Seara Nova (autor)

Vistos Gold

As redes de branqueamento de capitais e os corruptores endinheirados sabem que um Estado que vende autorizações de residência é, por definição, um Estado fraco, um lugar adequado para lavar dinheiro ou desviar capitais sem problemas por aí além e uma porta de entrada para o apetecido espaço económico europeu. (…) O que temos hoje é uma política que fecha os olhos às redes criminosas de ricos e persegue as redes criminosas de pobres. É uma política que não tem problemas com a imigração ilegal, só tem problemas com a imigração ilegal dos pobres. À dos ricos dá vistos e não cuida de mais nada.

José Manuel Pureza

Visão, 21 de Junho de 2018

 

Violência contra as mulheres

A Índia foi considerado o pior país em termos de violência sexual contra as mulheres, assim como no item tráfico humano para trabalho doméstico, trabalho escravo, escravidão sexual e casamento forçado. Foi, também, considerado o pior do mundo em relação às tradições culturais que afetam as mulheres, como mutilação genital, casamento infantil, casamento forçado, apedrejamento, abuso físico ou mutilação como forma de punição e infanticídio feminino.

Sara Rodrigues

Visão, 27 de Junho de 2018

 

Migrações

“As soluções não são imediatas e nem serão encontradas apenas com um país, isoladamente. São os dois continentes, África e Europa, que devem juntos encontrar soluções que sejam duradouras”. (…) Aquelas que “garantem o desenvolvimento do continente, a criação de emprego, de riqueza e de estabilidade”.

João Lourenço (Presidente de Angola no Parlamento Europeu)

Público, 4 de Julho de 2018

 

Justiça 45 anos depois

Quarenta e cinco anos depois da morte do cantor, director de teatro e professor universitário Víctor Jara, a justiça chilena logrou responsabilizar os autores do crime cometido por soldados que ajudaram Augusto Pinochet a tomar o poder ao socialista SalvadorAllende. Oito antigos militares foram condenados na terça-feira a um total de 18 anos de prisão, pelo homicídio e sequestro de Jara e do ex-director de prisões Littré Quiroga Carvajal. O Estado chileno terá ainda de indemnizar as famílias das vítimas em 2,1 milhões de dólares (cerca de 1,8 milhões de euros).

António Saraiva Lima

Público, 4 de Julho de 2018

 

Negócios imobiliários

A seguradora Fidelidade acordou a venda de 2085 fracções residenciais a quatro sociedades por quotas, de responsabilidade limitada, com um capital de 100 euros cada. (…) As quatro empresas que se propõem a pagar 425 milhões de euros pelo vasto património imobiliário foram criadas na Madeira, tendo as sedes sido transferidas recentemente para Lisboa. (…) O comprador dos imóveis será o fundo Apollo, através das sociedades veículo, que em Junho registaram alterações ao contrato de sociedade e a designação de membros dos órgãos sociais. As quatro empresas têm agora gerentes comuns, com morada no Luxemburgo.

Rosa Soares e Cristina Ferreira

Público, 10 de Julho de 2018

 

Identidade americana

Trump é a afirmação brutal da identidade americana.

Vasco Pulido Valente

Expresso, 21 de Julho de 2018

 

Apartheid israelita

Trata-se de uma forma muito evidente de apartheid. Não acredito que o povo judeu tenha vivido 20 séculos, a maior parte sofrendo perseguições e suportando crueldades sem fim, para se transformar agora no opressor que submete os demais às suas crueldades.

Daniel Barenboim

El País, 24 de Julho de 2018

 

Um Estado confessional

Quando em 1947 a ONU criou o Estado de Israel estabeleceu para Jerusalém um estatuto internacional completamente contrário ao que Israel agora estabelece. Ninguém reconheceu os territórios conquistados na guerra de 1967 (que Israel de facto começou ao antecipar-se ao ataque previsto dos árabes).

Carlos Anjos

Público, 24 de Julho de 2018

 

Erradicação da pobreza

Há uma justiça para ricos e uma justiça para pobres, como há uma saúde para ricos e uma saúde para pobres, como há uma educação para ricos e uma educação para pobres. Porque o modo de chegar à justiça, o modo de chegar à saúde e o modo de chegar à educação, tem caminhos que ainda estão fora da justiça, fora da saúde e fora da educação. E quando se chega, já se vai em situação de diferenciação. O importante é acabar com os pobres. A luta deve ser essa. A pobreza é uma violação de direitos humanos e o grande objectivo é a erradicação da pobreza. Foi o que se fez com a escravatura, foi o que se fez com o apartheid. Se isto não é considerado um objectivo político, vamos continuar a dizer que há uma justiça para ricos e uma justiça para pobres.

Álvaro Laborinho Lúcio

Público, 24 de Julho de 2018

 

Despedimentos

Instituto Nacional de Estatística (INE) elaborou um estudo sobre os custos de contexto da economia portuguesa, onde 47% dos gestores indica que as barreiras para o despedimento são poucas, ou nenhumas.

Jornal Económico, 30 de Julho de 2018

 

Pena de Morte é inadmissível

O Papa Francisco alterou formalmente o Catecismo da Igreja Católica sobre a pena de morte, considerando-a inadmissível em qualquer circunstância. “A Igreja ensina, à luz do Evangelho, que a pena de morte é inadmissível, porque atenta contra a inviolabilidade e dignidade da pessoa, e empenha-se com determinação a favor da sua abolição em todo o mundo”, pode ler-se, agora, no n.º 2267 do Catecismo.

Clara Barata

Público, 3 de Agosto de 2018

 

Desastre ferroviário

Nos últimos 30 anos, o País perdeu 1 500 km de caminho de ferro, 19 000 postos de trabalho no setor e 43% de passageiros/km, e o “sucesso” da estratégia de Bruxelas tem sido proporcional ao desastre em que se encontra a ferrovia nacional. Os constantes atrasos, supressões e redução de oferta agora concretizados não são danos colaterais, antes são o resultado inequívoco de opções contrárias às necessidades das populações e do País. A opção pela venda e pela concentração capitalista do transporte ferroviário, pela degradação da soberania dos estados periféricos, pela negação do direito à mobilidade e pela precarização das relações laborais é desastrosa. Quem ganhou com isto? A Siemens alemã comprou o essencial das empresas fabricantes e adquiriu a principal rival (a francesa Alstom), e a DB alemã construiu um dos maiores impérios de operadores ferroviários do mundo, dominando o transporte ferroviário de mercadorias na Europa e presença significativa na gestão da infraestrutura e no transporte de passageiros em vários países – só em Portugal detém 100% da Arriva (Transportes Sul do Tejo e Metro do Porto) e 30% da Barraqueiro.

Rita Rato

Visão, 22 de Agosto de 2018

 

A queima de 200 anos de História

O acervo do Museu Nacional, agora quase totalmente perdido, “reflectia toda a diversidade da fauna e da flora da América do Sul, assim como a diversidade etnográfica passada e presente”, para lá dos milhares de peças de outras regiões, resume André Menezes Strauss, professor da Universidade de São Paulo. (…) “uma vergonha internacional, um atestado de incompetência institucional” e “um constrangimento civilizacional para o Brasil” (…) O que aconteceu, conclui, foi “a queima de 200 anos de História”.

Isabel Coutinho e Alexandra Prado Coelho

Público, 4 de Setembro de 2018

 

Total apoio” ao Papa

Os bispos portugueses demonstraram (…) o seu “total apoio” ao Papa Francisco e comprometem-se a “seguir as suas orientações para erradicar” o “drama dos abusos de menores por parte de membros responsáveis da Igreja”. (…) “Empenhar-nos-emos em incrementar uma cultura de prevenção e protecção dos menores e vulneráveis em todas as nossas comunidades”.

Natália Faria

Público, 4 de Setembro de 2018

 

O novo “campus”

Vindos do décimo sétimo trimestre consecutivo de crescimento da economia portuguesa, e a cerca de um ano das próximas eleições legislativas, o momento atual é, do ponto de vista coletivo, algo marcado pela inércia e pelo conservadorismo. (…) A campanha que deu origem ao campus de Carcavelos – onde começaram ontem a ter aulas centenas de alunos – é o oposto de tudo isto. É uma conceção de Portugal que parece hoje rara, uma ideia que, apesar da modernidade e frescura do novo “campus”, é secular. Aproveitar o sol e o mar, não para proteger o nosso canto na praia, mas para apontar ao horizonte e interagir com o que está do lado de lá, para nos projetarmos num futuro melhor.

Luís Teles Morais

Público, 4 de Setembro de 2018

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