O jazz em Portugal Um caso de militância, um exemplo de resistência, e uma afirmação de liberdade no espaço da cultura portuguesa

Nº 1743 - Verão 2018
Publicado em Cultura por: Manuel Jorge Veloso (autor)

Na passagem dos anos 50 para 60 do século passado, a realização dos primeiros concertos de jazz com a participação de grupos e orquestras oriundas dos EUA, constituiu um passo decisivo para a paulatina evolução do jazz no nosso país. E mesmo quando vindos da Europa, os músicos que nos visitaram mostravam-se ainda claramente inspirados pelos grandes jazzmen norte-americanos, dados os naturais fenómenos de novidade, emulação e clara influência nos primórdios da criação de um “jazz europeu” ou “feito por europeus”.

Afigura-se necessário, entretanto, referir outros acontecimentos, conjugados ou não, no decisivo e responsável terreno do estudo teórico do próprio jazz, entre nós. Na realidade, sendo inadiável começar a tocá-lo, não era menos urgente também investigá-lo, nas suas vertentes histórica, artístico-cultural e sociopolítica. É o que faremos em relação à nossa realidade, sem cuidar de uma rigorosa descrição cronológica, antes agrupando ocorrências históricas segundo uma lógica mais temática.

Esforços pioneiros na promoção do jazz

Para além de uma prática frequente por intérpretes profissionais de outras áreas musicais ou pelos primeiros músicos de jazz amadores, tendo como lugar-onde primordial a cave do Hot Clube de Portugal ou concertos realizados com muita insuficiência e irregularidade em salas de espectáculos lisboetas — a criação em 1959, também em Lisboa, de um novo local como o Clube Universitário de Jazz (CUJ), viria agitar as águas da divulgação desta música, funcionando como uma complementaridade teórica e política essencial à sua integral absorção.

A vocação natural e preferencial do CUJ era acompanhar ou integrar-se na forte consciencialização e agitação estudantil impulsionada pelas Associações de Estudantes e, em geral, por movimentos da camada intelectual antifascista. Estes empenhavam-se, pelas mais variadas formas, na divulgação resistente e militante da cultura progressista (música, teatro, cinema, literatura, poesia, artes plásticas) e constituía, no plano legal, importantíssima parcela social da luta mais ampla do povo português contra a Ditadura.

Pela composição dos seus órgãos directivos e pela sua própria frequência, essencialmente próxima da massa estudantil universitária de Lisboa em vésperas de importantíssimas e empenhadas jornadas de contestação política de massas ao fascismo, o novo clube não deixou por mãos alheias esse contributo.

A exemplo do que acontecera anos antes com o HCP, o CUJ arrancara com dinamismo as suas actividades, embora, em boa verdade, por impedimentos que lhe eram alheios, enquanto clube “em [permanente] organização”. Mesmo assim, procurou levar a cabo, ainda que esporadicamente, concertos de jazz com músicos portugueses e grupos estrangeiros, entre os quais sobressaíram o do clarinetista francês Claude Luter e o New Blues Jazz Sextet (EUA/Europa), ou ainda sessões de projecções de filmes, debates, exposições e sessões de esclarecimento, tendo o jazz como elemento catalisador.

A circunstância porventura mais “agravante” (do ponto de vista das autoridades) de contactos e ligações informais à Casa de Estudantes do Império e o consequente alargamento do seu contingente de sócios e frequentadores a alunos naturais das (então oficialmente designadas) “províncias ultramarinas” em conjuntural formação académica na “metrópole”, iria contribuir, entretanto, para que as autoridades dificultassem, ainda e sempre, não só a aprovação dos Estatutos da associação como a própria actividade e funcionamento regular das instalações da sede, inauguradas em 1959 mas mandadas encerrar em 1961, assim se revelando tragicamente curta a sua existência.

A consagração do jazz, enquanto música e mensagem libertadora

O facto é que a Ditadura sabia bem que o jazz nascera de um povo oprimido como o afro-americano, tendo evoluído paralelamente à sua cada vez mais consciente luta pela Libertação e pelos Direitos Cívicos — uma associação indirecta e uma inevitável referência que, entre nós, se revelavam incómodas, quando não “subversivas”, num momento em que se agravavam as contradições que conduziriam, nesse mesmo ano, à abertura das primeiras frentes da Guerra Colonial no continente africano.

Apesar de tudo, dirigentes ou associados mais notórios do CUJ — como Raúl Calado, José Duarte, Raúl Vaz Bernardo, José Leitão e alguns outros — iriam prosseguir uma prolífica actividade divulgadora do jazz, agora através da edição do Boletim do Clube, primeira publicação portuguesa exclusivamente dedicada ao jazz, e da progressiva penetração na imprensa ou ainda na rádio: Emissora Nacional, Rádio Clube Português, mais tarde a Rádio Renascença.

Por outro lado, na própria RTP, surgiriam, logo a partir dos anos 60, os primeiros programas de jazz produzidos por Manuel Jorge Veloso (1). Em Jazz no Estúdio A, eram apresentadas, quase sempre sob a direcção de Jorge Costa Pinto (que entretanto frequentara, num estágio de 6 meses, a famosa Berklee School of Jazz, em Boston), actuações de grupos mais ou menos amplos (desde a formação de octeto até à de big band), constituídos por músicos profissionais, em geral tocando arranjos do próprio JCP ou de destacados mestres do jazz West Coast; e em TV Jazz eram transmitidas conceituadas séries estrangeiras ou festivais internacionais, no âmbito do intercâmbio com a UER (União Europeia de Radiodifusão).

Já na distribuição e produção discográfica, Paulo Gil viria, poucos anos depois, a dar um importante contributo na Valentim de Carvalho, tal como António Curvelo e Raúl Vaz Bernardo, para além do exercício regular e continuado da crítica em publicações de referência, fariam o mesmo no quadro da relevante livraria-discoteca Dargil. Da mesma forma que Luíz Villas-Boas continuaria muito activo na organização de concertos e sessões públicas, mantendo as suas, tão proveitosas, ligações internacionais.

De uma outra forma, o jazz não deixara também de marcar a sua presença no Novo Cinema Português, com a participação do Quarteto do HCP na banda sonora do filme Belarmino (1964, real.: Fernando Lopes) ou na sua utilização no documentário As Palavras e os Fios (1963, do mesmo cineasta) e em várias curtas-metragens de outros realizadores, nesse importante período de renovação do nosso cinema.

Não menos significativo, muitos dos divulgadores atrás referidos (quer organicamente quer em iniciativas individuais) promoveram e organizaram, com claro espírito de missão, em Associações de Estudantes mais activas ou disponíveis, a par de outras instituições culturais de vário tipo localizadas um pouco por todo o país, “sessões fonográficas” itinerantes, um meio particularmente eficaz de divulgar os sons e os valores de uma música então ainda bastante ignorada entre nós.

Embora com propósitos algo diferentes, vieram a revelar-se extremamente úteis como apoio aos vários mensageiros no terreno (e da melhor maneira aproveitados por estes em algumas das suas iniciativas) os contributos dos Serviços Culturais da Embaixada dos EUA em Lisboa, designadamente na cedência de gravações radiofónicas ou televisivas; e, ainda, do Instituto Alemão (Goethe Institut) de Portugal, instituição particularmente decisiva no apoio solidário a iniciativas dos democratas e antifascistas portugueses no domínio da Cultura e, neste caso particular, no apoio a deslocações de músicos de jazz (como o Quinteto de Pepsi Lauer em 1965 ou o Quarteto de Albert Mangelsdorff em 1966, ambos com actuações no Cinema Trindade do Porto), sendo digno do maior reconhecimento o papel inexcedível desempenhado durante anos pelo seu director de então: Curt Meyer-Clason.

A multiplicação de concertos e outras sessões de divulgação

Em termos de concertos, festivais e várias iniciativas dispersas, de maior ou menor relevo, não podem deixar de se mencionar, entre outros, a criação em 1957 de uma Secção de Jazz no Clube dos Fenianos (Porto) e, anos mais tarde, de idêntica secção na delegação da Juventude Musical, também daquela cidade; a participação do trompetista José Magalhães, em representação do nosso país, numa Orquestra Internacional de Jazz, dirigida por Marshal Brown, no famoso Festival de Jazz de Newport (1958, EUA); a organização da primeira Semana de Jazz no IST de Lisboa (1965) e do I Festival Internacional de Jazz de Coimbra (1967), em que participou o saxofonista norte-americano Dexter Gordon; a inauguração, em Cascais (1965), por iniciativa de LVB e Jean-Pierre Gebler, do primeiro clube de jazz comercial entre nós, o Louisiana Jazz Club, no qual viriam a actuar em jam sessions, entre muitos outros, músicos de nomeada de passagem em Portugal, como Gerry Mulligan, Don Byas, Louis Hayes, Sam Jones, Paul Gonsalves, Albert Mangelsdorff ou, especialmente contratado, o então celebrado quarteto de Charles Lloyd (com os jovens Keith Jarrett, Cecil McBee e Jack DeJohnette), em Julho de 1966, numa iniciativa conjunta daquele clube e da RTP, englobando duas gravações para o Jazz no Estúdio A; a primeira “intromissão” do jazz no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian (1970), através da memorável actuação do Modern Jazz Quartet, seguida de uma improvisada e histórica jam session com três dos seus membros e ainda músicos portugueses, transmitida em directo, madrugada adentro, pela Rádio Renascença (!); as actuações em Lisboa (1970) da Orquestra de Benny Goodman e do Quarteto de Phil Woods, bem como do Quarteto de Stan Getz em Coimbra (1971); o I Festival de Jazz do Porto (1971); e o primeiro concerto assumidamente de vanguarda pelo sexteto do saxofonista norte-americano Steve Lacy (1972), no Cinema Monumental, para o programa de rádio 5 Minutos de Jazz (José Duarte), do qual resultou o primeiro disco de jazz gravado em Portugal (Estilhaços, editora Sassetti-Guilda da Música).

O significado profundo do I Festival Internacional de Jazz de Cascais

Tal como já se adiantava na primeira parte deste artigo, publicada no nº. 1742 da Primavera passada, estavam assim amadurecidas as condições para a histórica realização, nas noites de 20 e 21 de Novembro de 1971, do importantíssimo I Festival Internacional de Jazz de Cascais. Deste modo, o termo jazz, cuja utilização era dificultada pelo regime, que impunha em contrapartida o termo “música moderna”, acabaria por se impor e consagrar ao longo do tempo, pela tenacidade dos promotores de concertos e festivais. E acabaria por ser definitivamente entronizado neste marcante Festival.

Pela primeira vez, puderam ver-se e ouvir-se em duas noites consecutivas, no palco do Pavilhão do Dramático de Cascais (ainda em construção), a European Rythm Machine do saxofonista Phil Woods; o novo septeto de Miles Davis, com o seu contagiante jazz eléctrico e a participação, entre outros, de Keith Jarrett e Gary Bartz; o grupo Giants of Jazz, formado por mestres de referência do jazz moderno, como Dizzy Gillespie, Thelonious Monk, Sonny Stitt, Kay Winding, Al McKibbon e Art Blakey; o quarteto de Ornette Coleman e a revelação, ao vivo, dos primeiros exemplos do free jazz; o moderno classicismo do saxofonista Dexter Gordon, tocando com uma secção rítmica residente; e ainda alguns dos primeiros músicos de jazz profissionais portugueses, como Rão Kyao e Jean-Sarbib, formando com os residentes Kevin Hoidale e Adrien Ransy o quarteto The Bridge. (2)

É certo que, no mês de Agosto imediatamente anterior, na pacata Vilar de Mouros, se realizara ao ar livre, na presença de cerca de dez mil jovens e para surpresa generalizada, aquele que se considerou o primeiro grande festival de rock em Portugal, uma importante manifestação musical neste domínio mas também uma “pequena revolução” no campo da fruição musical e dos costumes, num tempo em que a ressonância do movimento hippie se espalhava por todo o mundo, tal como grandes jornadas pela Paz.

Mas, em Cascais, o significado e o peso histórico da música era de um outro tipo, acarretava consigo uma força telúrica imparável (dispensando encenações e efeitos técnicos exteriores à própria música) e as mais de 15 000 pessoas que lotaram nas duas noites o inacabado e poeirento recinto de Cascais abrangiam transversalmente várias gerações e mesmo, convivendo num espaço comum, camadas da pequena, média e alta burguesia.

Em boa verdade, jamais se sentira, num espectáculo público, uma tão entusiástica, democrática e poderosa plateia envolvendo tão significantes protagonistas artísticos, em inteira comunhão com a música de Liberdade que soava a partir do imenso palco. E tudo se transformaria numa grandiosa e espontânea manifestação antifascista nesse episódio célebre que correu mundo e tanto incomodou a chamada “primavera marcelista” ou enfureceu a omnipresente PIDE/DGS, quando Charlie Haden, membro do quarteto de Ornette Coleman (24 horas depois expulso do país!) dedicou “Song for Che”, uma das peças do concerto, aos Movimentos de Libertação de Angola, Moçambique e Guiné-Bissau!

Ainda a propósito do histórico evento de Cascais e do exemplo multiplicador que representou, não pode deixar de sublinhar-se o facto de, nos anos seguintes à sua ocorrência e até aos nossos dias, terem passado por este e muitos outros palcos, com raras excepções, muitos dos mais importantes criadores do jazz norte-americano e europeu ainda vivos, assim se preenchendo, de forma sintética, uma das maiores lacunas neste domínio provocadas por décadas de atraso e obscurantismo.

As linhas com que o jazz se coseu, após Abril

Embora bastante rica a história da evolução do jazz entre nós depois do 25 de Abril, ela é quiçá mais curta de explanar porque, ainda que menos conhecida do leitor em todos os seus cambiantes e variáveis, não deixou de corresponder e acompanhar, na sua especificidade, idênticos e vertiginosos movimentos paralelos ou convergentes da sociedade em todas as esferas da sua vivência política, económica e sociocultural, após aquela data histórica.

Parece, entretanto, sensato apontar meia dúzia de grandes linhas de transição (e, logo depois, de evidente ruptura) que, com maior ou menor sucesso ou impacte cultural, naturalmente anteciparam ou condensaram, em pouco mais de quatro décadas decorridas até hoje desde o derrube da Ditadura, idêntico caminho há muito percorrido em liberdade por outros países europeus, porventura queimando estes menos etapas e consolidando mais longamente as bases em que se apoiou.

No âmbito que nos interessa, havia-se já verificado a transição natural dos novos músicos emergentes para um semiprofissionalismo ou mesmo profissionalismo absoluto. O surgimento de instrumentistas da qualidade de Rão Kyao, Zé Eduardo ou António Pinho Vargas, a continuada actividade de Rui Cardoso, Nuno Gonçalves, Paulo Gil ou do brasileiro Marcos Resende, entre alguns outros, permitiu o alargamento de uma base de recrutamento para a continuidade ou a formação de novos grupos esteticamente diversificados, como os Araripa, Bridge, Contacto ou Status; e em 1976, seria finalmente editado o primeiro disco de jazz gravado inteiramente por músicos portugueses profissionais: Malpertuis, pelo grupo de Rão Kyao.

Por outro lado, a intervenção crítica contra-corrente de um Jorge Lima Barreto, acompanhada da sua participação em grupos como o Anarjazz Band e mais tarde o Telectu, que se reclamavam da vanguarda ou do free-jazz, terá contribuído para “sacudir” uma alegada modorra da crítica “instalada”, juntando-se ainda a este movimento da nova música ou da música improvisada (que mais tarde se autonomizaria) os grupos Zanarp e Plexus, avultando neste último a presença do violinista Carlos Zíngaro.

Ainda no pós-revolução, no plano educativo, a criação da Escola de Jazz do Hot Clube de Portugal, inicialmente levada a cabo por Zé Eduardo (1977) e depois continuada, na direcção pedagógica, por David Gausden, Tomás Pimentel, Sérgio Pelágio ou Pedro Moreira, revelara-se um exemplo frutificante, dali passando a sair até aos nossos dias, em número impressionante, muitos dos nossos mais destacados jazzmen, agora inteiramente apetrechados para uma carreira profissional de topo.

A futura escolha do HCP (1989) como uma das 15 cofundadoras da Associação Internacional de Escolas de Jazz (dinamizada pelo saxofonista e pedagogo norte-americano Dave Liebman), representaria mais uma importante consagração internacional. O convite resultara de um dos vários workshps realizados em Portugal por músicos convidados estrangeiros, enquanto actividades paralelas de festivais, designadamente o novo Estoril Jazz / Jazz Num Dia de Verão (dinamizado por Duarte Mendonça, na continuidade do Festival de Jazz de Cascais); ou o Jazz em Agosto, na maioria das suas edições produzido por Rui Neves e promovido pela FCG; hoje tendo regular continuidade nos workshops anualmente realizados no quadro dos festivais Guimarães-Jazz.

Também mais a Norte, a actividade da Escola de Jazz do Porto, corresponderia à actividade dinamizadora de Mário Barreiros e seus filhos Pedro, Mário e Eugénio, originando o surgimento de uma nova e cada vez maior fornada de brilhantes músicos não limitada à capital.

[Na evidente impossibilidade de recensear, mesmo num texto deste tipo, os muitos músicos hoje em actividade nas suas várias especialidades, optou-se por revelar, como mera curiosidade e na perspectiva de demonstrar como aumentou exponencialmente o número de músicos de jazz profissionais (neste caso, apenas com actividade no Centro e Sul do país), o making of de uma foto simbólica e histórica, datada de 18.11.12, e captada no Auditório Ao Ar Livre da FCG, que poderá ser encontrada aqui: https://vimeo.com/50253265]

Uma indispensável quebra de barreiras, nacionais e internacionais

No âmbito mais alargado da música em geral, a progressiva criação no pós-25 de Abril de inúmeros Conservatórios e Academias de Música em várias capitais de Distrito, bem como o aumento generalizado de escolas de música ou a inestimável e continuada actividade de bandas/filarmónicas nos pontos mais recônditos do país, provocou um aumento exponencial no número de potenciais praticantes musicais (e por arrastamento do jazz), acompanhado do desejável esbatimento de artificiais barreiras estéticas entre géneros musicais e seus respectivos cultores e do aumento de uma consistência formativa entre estudantes e futuros profissionais.

Paralelamente, a instituição e o florescimento do Poder Local Democrático, com o consequente acréscimo das actividades de natureza cultural e a proliferação de modernos espaços e infraestruturas a elas inerentes, passou também a permitir a inclusão do jazz em múltiplos concertos e festivais que, em muitos casos, hoje tocam insuspeitadas regiões do país.

A internacionalização do jazz português, com a frequência (através da concessão de bolsas de estudo) de reputadas escolas de música nos EUA (a New School e a Julliard, em Nova Iorque, ou o Berklee College em Boston) e na Europa (Holanda, França, Alemanha), abriu directa ou indirectamente as portas para o intercâmbio e natural integração dos nossos melhores músicos em projectos de reputados jazzmen norte-americanos e europeus (ou vice-versa), na paulatina construção de uma nova realidade e evidência que, em cerca de duas décadas, veio a impor-se, mesmo aos eternos cépticos dentro de portas, incapazes de compreender, absorver (e controlar) essa nova dinâmica.

Por último, culminando estes desenvolvimentos positivos, a criação de licenciaturas e doutoramentos em jazz, em universidades de Lisboa, Évora, Aveiro, na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo (ESMAE) do Porto e da Escola Superior de Música de Lisboa, entre outras, vieram consagrar a credibilidade do jazz no nosso país ao atingir uma clara maioridade, também expressa na ainda tímida recolha, acolhimento e estudo de espólios de vários amadores do jazz e num crescente volume de trabalhos académicos no âmbito da etnomusicologia. (19 830)

 

Notas:

  1. O autor lamenta a inevitável referência ao seu próprio nome em algumas passagens deste texto.

  2. Ver, a propósito, excerto de uma conferência de imprensa de LVB no arquivo da RTP, em https://arquivos.rtp.pt/conteudos/i-festival-internacional-de-jazz-de-cascais/

 

Bibliografia:

— Manuel Jorge Veloso, Carlos Branco Mendes, António Curvelo Jazz (Entrada), Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX (2010). Direcção: Salwa Castelo-Branco, Edição do Instituto de Etnologia, FCSH, Universidade Nova de Lisboa e colecção “Temas e Debates”, do Círculo de Leitores.

— Hélder Bruno Martins – Jazz em Portugal, 1920-1956 (2006), Coimbra: Editora Almedina.

— António Curvelo — “Notas (muito incompletas) sobre o jazz em Portugal: da pré-história aos tempos modernos”. Fundação de Serralves.

 

Outros recursos:

  1. — Bios de vários músicos de jazz portugueses (site JazzPortugal) http://www.jazzportugal.ua.pt/web/musicos.asp?lg

  2. — Ciclo “Histórias de Jazz em Portugal”, autores António Curvelo e Manuel Jorge Veloso (Programas on demand, Antena 2) https://www.rtp.pt/play/pesquisa?q=Hist%C3%B3rias+de+Jazz+em+Portugal

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