Literatura de Resistência (Prosa)

Nº 1740 - Outono 2017
Publicado em Cultura por: Sergio de Sousa (autor)

«Levámos porrada a sério mas resistimos. É bom resistir.» «Melhor ainda, é ter resistido».

José Casanova

O Caminho das Aves

 

Resistência consiste num facto, bem como numa atitude recorrente dos seres animados. Impensável que a literatura a não reflectisse.

Da nossa tradição popular, a história do pai que apresenta aos três filhos um grosso feixe de vimes, desafia o mais forte deles a quebrá-lo, e como esse não consegue, diz a outro para desatar o feixe, e ao mais fraco para quebrar, um a um, cada vime; o que esse facilmente realiza. E o pai enuncia o ensinamento: enquanto permanecerdes enlaçados, ninguém vos partirá, mas separados pouca resistência dareis.

Do Chile, tendo atravessado o Atlântico, nos chegou o slogan: El Pueblo unido jamás será vencido.1

Assim o sabe também a reacção, que insidiosamente tenta dividi-lo, para o poder vencer.

No Oriente outra história milenar se teceu, a da árvore de grande porte, cujo robusto tronco foi quebrado por rajadas de vento ciclónico, enquanto a seara de arroz se foi flectindo sob a passagem daquelas, para renovadamente se erguer.

A resistência sempre se insere numa dinâmica, incorpora unidade e táctica, e a literatura desde a mais primitiva, outrossim a foi revelando.

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Gostaria aqui de abordar dois aspectos da relevância da resistência na literatura.

Um, o modo da criação literária, num largo espectro erigida em resistência contra várias censuras – dos poderes político, religioso, dos interesses de classe, até das conveniências e medos individuais; o outro, lutas de resistências enquanto temas literários – de povos, de géneros, de gerações, de classes, de pessoas.

Mera abordagem.

Os poderes cedo consciencializaram a palavra como um potencial veículo de domínio, e os povos incorporaram a necessidade, quando assim se efectivava, de a rebater, se possível com palavras também, contrárias. A luta pelo controlo do que se diz, sobretudo através dos meios de maior difusão, em tempos históricos livros, jornais, integrou actos de grande violência, como condenações à morte, prisões, deportações, destruição de tipografias, livrarias, livros e outras publicações.

Modernamente os procedimentos apresentam outra sofisticação.

Nos anos do fascismo no país, os livros começaram por se encontrar sujeitos a censura prévia.

Nenúfar no Charco – belo romance de um filho de família provinciana burguesa, que enjeita a prepotência paterna e vem a tornar-se operário tipógrafo na capital –, cuja escrita Avelino Cunhal concluiu em 1935, sofreu tanto cortes e consequentes adulterações por parte da Comissão censória, que o autor desistiu de publicá-lo na época; veio a falecer em 1966 sem que a oportunidade para o efeito tivesse entretanto surgido. Apenas em 2009 o editor Leonardo de Freitas2 recupera o manuscrito e edita o livro. Setenta e quatro anos na «gaveta» uma obra que, hoje, além de nos comprazer, nos leva a interrogar-nos porque o censor tanto se temera dela.

Na quarta edição, 1999, do seu romance de estreia, Viúvas de Vivos, 19473, a saga da gente marinhoa, dos homens que emigravam clandestinamente para as américas e das mulheres que ficavam sós, Joaquim Lagoeiro inclui uma nota introdutória narrando a insólita proibição e apreensão daquele pela polícia política, dois anos após a respectiva publicação. Fora alvo, num pasquim fascistoide, de uma denúncia, sob o título “Os romancistas da miséria continuam a caluniar o povo português”4. Revela-se interessante a leitura dessa nota introdutória, porque apresenta actuações algo dissonantes de serventuários do regime então vigente.

Nunca se saberá ao certo quantas, mas seguramente um número significativo de obras de mérito foram sendo escritas para a «gaveta», ficando a aguardar por um tempo que havia de chegar, de restauração de liberdades.

Foi o caso, designadamente, de O Milagre segundo Salomé, romance de José Rodrigues Miguéis desmontando a mentira das «aparições» em Fátima, que apenas veio a ser publicado em 1975 embora tivesse começado a ser escrito no primeiro lustre dos anos trinta, e atingido a «forma final entre 1966 e 67»5.

Se nos casos mencionados os escritores persistiram, levando a cabo as suas criações, quantas não ficaram inconclusas, por terem os seus autores descorçoado perante as ameaças censórias?

Entrementes, ainda durante o fascismo, foi abolida a censura prévia aos livros. A repressão requintava-se em perversidade. A polícia política, servindo-se dos seus informadores, vulgo bufos, esperava pela impressão do livro, para então irromper na tipografia, na editora, e apreender toda a tiragem; despendera-se o custo e o produto era cassado. Obviamente, tomavam-se precauções, dissimulando a feitura dos espécimes, agilizando a distribuição à medida que se encontrassem prontos. Nem sempre se obtinha o resultado pretendido.

Em 1959 Aquilino Ribeiro vivia os seus 73 anos como escritor prestigiado pela sua obra, de indiscutida mestria, mas atreveu-se num romance, Quando os Lobos Uivam, a narrar a pretensão do Estado Novo, na década antecedente, de retirar baldios a povos da Beira, para os florestar, o modo como os beirões legitimamente se insurgiram e reagiram, e a repressão injustificada, brutal, que sobre eles recaíra, por parte designadamente da Guarda Republicana e do Tribunal. O regime, por intermédio da Censura, considerou as autoridades ofendidas, e instaurou contra o escritor um processo-crime que se desenrolou durante vinte meses, até que por de mais «incomodado» com a repercussão internacional do caso, tratou de que o processo fosse arquivado.

Podem Chamar-me Eurídice..., romance de Orlando da Costa de 1964, foi proibido dois meses após a publicação e somente reeditado, sem nenhuma alteração, após o 25 de Abril, em 1974. Como o autor consigna no Posfácio à segunda edição: «É verdade que de certa maneira este livro foi e é dedicado à memória de José Dias Coelho.» Nele se ficciona uma noite, evocando aquela em que o militante comunista e artista plástico foi cobardemente assassinado pelos esbirros da PIDE.

A censura, então, encontrava-se institucionalizada como tal, e não mostrava rebuço em proibir fundada em alegados interesses superiores da política nacional e da moral que se pretendia imposta.

Hoje diz-se a censura inexistente, embora permaneça encapotada, designadamente por detrás do funcionamento de empórios actuando em áreas da comunicação, do entretenimento.

Abstendo-se de financiar obras veiculadoras de valores humanistas, críticas, libertadoras, e promovendo nos mercados a massificação de produtos alienantes, o capital cumpre o seu papel de explorar pessoas, que terão de lhe resistir para se preservarem dignamente.

A resistência enquanto tema literário.

Logo um dos primeiros prosadores portugueses, e dos de maior valor, Fernão Lopes, nos legou a Crónica de D. João I, de que transcrevo um pequeno excerto da Primeira parte, Capítulo XI, «Do alvoroço que foi na çidade, cuidamdo que matavom o Meestre, e como allo foi Alvoro Paaez e muitas gemtes com elle.

[...]

Delles braadavom por lenha, e que vehesse lume pera poerem fogo aos Paaços, e queimar o treedor e a aleivosa. Outros sse afficavom pedimdo escaadas pera sobir acima, pera veerem que era do Meestre; e em todo isto era ho arroido atam gramde que sse nom emtemdiam huus com os outros, nem determinavom nehuua cousa. E nom somente era isto aa porta dos Paaços, mas ahimda arredor deles per hu homees e molheres podiam estar. Huuas viinham com feixes de lenha, outras tragiam carqueyja pera açemder o fogo cuidamdo queimar o muro dos Paaços com elle, dizemdo muitos doestos contra a Rainha.»

Crise de 1383-1385, a arraia-miúda de Lisboa, artesãos, pequenos comerciantes, então classe ascendente, resiste à facção da aristocracia partidária da união do reino com o de Castela.

Triunfando o Mestre de Avis, ao cronista encomendou-se a prosa legitimadora. O que no caso esse realizou com arte, agilizando descrições focadas em pormenores interessantes e movimentação de massas.

Irei agora saltar do final do século XIV para o XX, e fazer uma breve referência a escritores estrangeiros que influenciaram alguns dos nossos, que depois destacarei relativamente ao tratamento da temática da resistência.

Máximo Gorki, A Mãe, 1907.

Primeira Parte, IV, a mãe, Pelágia, viúva, pergunta ao filho, Pavel, o jovem operário integrado no movimento revolucionário russo iniciado em 1902, o que é que ele lia sem parar. Pavel responde:

«Leio livros proibidos. Os livros são proibidos porque dizem a verdade sobre a nossa vida, sobre a do povo... São impressos às escondidas e se os encontram em minha casa, metem-me na prisão... na prisão por ter querido saber a verdade. Compreendes-te?»6

No Portugal fascista A Mãe constituiu leitura quase unanime dos intelectuais progressistas. Compreende-se porquê.

Na Primeira Parte, II, uma cena violenta, em que o serralheiro Vlassov pretende agarrar o filho, Pavel, pelos cabelos, mas este, já com catorze anos, apanha um martelo pesado e enfrenta o pai.

Os confrontos entre pais e filhos, aqueles pretendendo que tudo continue como entendem que sempre foi, e os jovens almejando um mundo melhor para si, para muitos, recorrem em obras como o acima citado Nenúfar no Charco, de Avelino Cunhal, Oitava Colina7, de Modesto Navarro, e conforme já escrevi noutro local8, «Pavel enfrentando o pai, como que recorre em Docas Secas, de Fernando Miguel Bernardes, e n’O Caminho das Aves», de José Casanova9.

Jorge Amado, Capitães da Areia, 1937. Grande parte da primeira edição apreendida e queimada publicamente numa praça da Bahia.

A vida dos meninos de rua, Pedro Bala e seus companheiros, na cidade de Salvador.

José Casanova, n’O Caminho das Aves, evoca reiteradamente Capitães da Areia e a sua personagem Pedro Bala, e Pavel d’A Mãe, aproximando deles o seu protagonista, Francisco, bem como doutras personagens, de L’Âme Enchantée, de Romain Rolland, de Les Thibault, de Roger Martin du Gard, e de mais romances.

Ainda recentemente Francisco Duarte Mangas, o precioso autor de Geografia do Medo10, naquele que reputo o melhor romance entre nós publicado em 2015, Jacarandá11, narrando cenas da resistência antifascista no norte do país, citou relevantemente A Mãe e Capitães da Areia.

Outros influentes: Graciliano Ramos, Vidas Sêcas, 1938; Vasco Pratolini, Metello (Um Rapaz de Florença, na tradução de António Ramos Rosa), 1955, primeiro livro da trilogia Una storia italiana; Elio Vittorini, Piccola borghesia (Pequenos Burgueses), 1931, Conversazione in Sicilia (Gente da Sicília), 1941; Cesare Pavese, Il Compagno (editado pela Minerva antes e depois do 25 de Abril de 1974, respectivamente com os títulos A Guitarra Quebrada e O Camarada), 1947; Italo Calvino, Il sentiero dei nidi di ragno (O atalho dos ninhos de aranha), 1947; John Steinbeck, The Grapes of Wrath (As Vinha da Ira), 1939; Erskine Caldwell, Tabacco Road (A Estrada do Tabaco), 1932; William Faulkner, The Sound and the Fury (O Som e a Fúria), 1929.

A resistência ao fascismo.

Tal como Karl Marx escrevera nas Teses sobre Feuerbach, «Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo», os comunistas, por o serem, pretendem pôr fim à exploração do homem pelo homem, e quando escritores, com a sua escrita, coerentemente, também visam contribuir para a transformação do mundo.

Logo em Gaibéus, edição do autor, 1939, Alves Redol, narrando a estada do rancho de beirões vindos ao Ribatejo para a safra do arroz, conta dos «rapazes que dão a água» aos ceifeiros, e mostra-os num momento de pausa a saltar ao eixo, gritando, pp. 88/89: « – Primeiro da bela mula! [...] – Segunda das pernas cruas! [...] – Oito: Biscoito! ¶ – Nove: Quem padece é o pobre! [...] Aquêle já êles não esqueciam. ¶ – Nove: Quem padece é o pobre! ¶ – Dez: Tira a carrapata dos pés! [...] Mas o nove foi mais gritado que nenhum outro. ¶ – Nove: Quem padece é o pobre!»

Soeiro Pereira Gomes dedicou Esteiros12: «Para os filhos dos homens que nunca foram meninos, escrevi este livro.»

O romance foca os que trabalhavam na indústria pobre dos telhais, p. 14, «Desde os garotos maltrapilhos aos valadores que vinham de muito longe», e exemplifica ainda, no relacionamento entre o proprietário senhor Castro e o rendeiro Zé Vicente, o funcionamento da acumulação capitalista.

Em Engrenagem13 Soeiro Pereira Gomes conduz-nos pela primeira vez para o interior de uma fábrica, mostra os operários na execução das suas tarefas concretas, as condições em que as praticavam, o esforço deles, as ordens dos que os dirigiam, os jogos de forças que se estabeleciam, e o despertar da consciência da necessidade da luta organizada da frente operária.

Cadernos Vermelhos, acervo de três contos integrado no espólio de Soeiro Pereira Gomes, Refúgio Perdido, 1948, O Pio dos Mochos, 1945, Mais um Herói, 1949, ficções assentes em vivências da resistência na clandestinidade, dirigidas primeiramente para o interior do Partido, enaltecendo e fomentando a solidariedade e disciplina, o comportamento digno sob tortura, assunto que virá a ser retomado por Manuel Tiago, Sala 3 e outros contos, 2001, Fernando Miguel Bernardes, Docas Secas, 1991, José Casanova, O Caminho das Aves, 2002, Mário Moutinho de Pádua, A Estrada de Mil Léguas, 2012, sem esgotar os exemplos.

Manuel da Fonseca em Seara de Vento, 195814, consigna um ensinamento que poderei enunciar assim: juntos para resistir.

Pp. 73-74, a jovem Mariana contrapõe à avó, Amanda Carrusca, referindo-se à luta dos camponeses por trabalho e jornas: «Convença-se de uma vez para sempre que só todos juntos hão-de alcançar alguma coisa. Um homem sozinho não vale nada.» E Amanda acabará por reconhecer, no final gritando aos camponeses, p. 245: «– Digam à minha neta! Digam-lhe que ela tem razão! Um homem só não vale nada!» E um pouco atrás explicara ao Palma – seu genro e pai da Mariana –, p. 239: «... Não é para matar que ela sustenta que a gente deve unir-se, é para podermos viver. Todos unidos para podermos viver, percebes?! Mas ... isso aconteceu-te e eu fico. Poderei ajudar-te, já não estarás tão só.» O que acontecera ao Palma fora ter ficado só, acossado pela guarda; e Amanda fica então junto dele, por solidariedade.

Manuel Tiago, Até amanhã, Camaradas,197415. Como Óscar Lopes observou nas Reflexões de Leitura, insertas na edição de 1980, «difícil é estudar uma experiência até agora sem grande voz no romance, em sua definida e complexa especificidade: a larga e densa experiência da resistência clandestina portuguesa».

Escrevi em Comunistas Escritores, p. 244: «Na génese das criações literárias de Manuel Tiago situações vivenciadas pelo seu ortónimo, a resistência ao fascismo na clandestinidade em Até Amanhã, Camaradas – que principiou a escrever na Penitenciária de Lisboa – a tortura em Sala 3, a participação na Guerra Civil de Espanha em A Casa de Eulália, a prestação do serviço militar obrigatório na Companhia Disciplinar de Penamacor em Os Corrécios, e poderia alongar-se a enumeração. Quando algumas não foram experienciadas pelo ortónimo, este teve das situações em que aquele, Manuel Tiago, funda a escrita informações privilegiadas. Será o caso de Um risco na areia, em que muito poucos poderiam cumulativamente conhecer o que se passava no interior de um centro de trabalho do Partido Comunista Português, um pouco das movimentações populares por todo o país, e ainda dos conciliábulos e tensões nas salas e gabinetes do palácio presidencial de Belém.»

A resistência, em Manuel Tiago, prosseguiu para além de Abril, porque na dita democracia burguesa assim tem de ser, a luta continua.

Manuel Pedro num pequeno livro de narrativas, precisamente intitulado Resistentes16, doou-nos dos mais tocantes olhares sobre vivências dos que «mergulharam», inexperiências superadas com autocrítica, temores compreensivelmente exacerbados, o estupor diante de meninos a crescerem fechados em casas clandestinas.

Fernando Miguel Bernardes, em Docas Secas, mostra o ingresso de rurais desirmanados, e de filhos da pequena burguesia de horizontes limitados, em estaleiros e oficinas navais que, por contingências geopolíticas, designadamente o bloqueio do Canal do Suez, foram instaladas e se desenvolveram no estuário do Tejo; junta a mole de trabalhadores, compreenderam a exploração que os atingia, contra ela se insurgiram, e ganharam a consciência da necessidade de se organizar, para atingirem uma luta consequente.

José Saramago, Levantado do chão17. Dedicado: «À memória de Germano Vidigal e José Adelino dos Santos, assassinados.»

Remontando às origens seculares do latifúndio no Alentejo e Ribatejo, mas focando essencialmente a resistência e lutas no século XX do proletariado rural, integrando nesta personagem colectiva homens reais como aqueles a quem o romance se encontra dedicado, e seres ficcionados, João Mau-Tempo, Manuel Espada, Sigismundo Canastro, José Saramago descreve de modo impressivo o longo combate entre as forças antagónicas, no qual alguns ganhos das forças progressistas do campesinato enquadradas pelo Partido Comunista se foram tornando irreversíveis, como o fim do trabalho de sol-a-sol e instituição das oito horas diárias no campo, mas outras metas definidas e perseguidas ficaram ainda por alcançar, caso da efectivação da terra a quem a trabalha, porque a reacção persiste... e reiteradamente há que resistir-lhe, para a vencer.

José Casanova, O Caminho das Aves. Sintetizei-o assim no já citado Comunistas Escritores, p. 284: «Romance do 25 de Abril, da resistência à ditadura fascista, da luta das massas populares tendo na vanguarda a classe operária organizada e conduzida pelo Partido Comunista Português, que levou ao derrube daquele regime.»

E especifiquei quanto ao mesmo, p.317: «O primeiro tema do romance consiste na assumpção de um posicionamento político de conflito com o poder vigente. A amizade entre os que confrontam esse poder incorpora o valor maior, e contribui para superar o conflito nos momentos extremes, não fraquejar diante das piores agressões, não trair os companheiros nem a luta de todos, persistir na dignidade própria, que permitirá até preservar a amizade quanto aos que desesperadamente fraquejaram, e causaram sofrimento.»

José Casanova consignou, p. 18: «Quem espera nunca alcança se esperar apenas, nós esperamos lutando, por isso a nossa espera é esperança e certeza.» E na p. 20: «Levámos porrada a sério mas resistimos. É bom resistir.» ¶ «Melhor ainda, é ter resistido,»

Resistiram os que souberam manter-se unidos, se organizaram, confiaram e porfiaram.

 

1. – Porém, já na altura das Alterações de Évora, 1637, a expressão «povo unido» surge num poema do Manoelinho: «Algum que este povo unido / desejara apedrejar». (Negrito meu.)

2 . – Edições Leitor.

3 . – Edição do autor.

4 . – In semanário Acção, dr. Manuel Saldida.

5 . – Cfr. 4.ª edição, Editorial Estampa, 2000, Vol. II, pp. 343 e segs. Nota do Autor.

6 . – Tradução minha a partir da francesa editada por Éditions hier et aujourd’hui, Paris 1945, p. 22.

7 . – Página a Página, 2013.

8 . – Comunistas Escritores, Página a Página, 2016, p. 580.

9 . – Em Docas Secas, Escritor, 1991, p. 60; em O Caminho das Aves, 2.ª ed., Página a Página, 2014, pp. 62/63.

10 . – Editorial Teorema, 1997.

11 . – Teodolito.

12 . – Sirius, 1941. A remissão deste texto faz-se, porém, para a p. da 2.ª edição, de 1942.

13 . – Romance acabado de redigir em 1944, manuscrevendo Soeiro Pereira Gomes na capa, «Para eu corrigir um dia». Dia que não ocorreria, porque mergulhando na clandestinidade em 1945, o escritor vem a morrer de cancro quatro anos mais tarde, com a idade de quarenta anos, e o livro será editado pela SEN, A Sociedade Editora Norte, então única Cooperativa editora portuguesa, Porto, 1951.

14 . – Reportar-me-ei aqui, nas remissões para páginas, à 2.ª ed., 1962, da Portugália Editora.

15 . – Edições Avante!

16 . – Edições Leitor, 2007.

17 . – 1.ª edição 1980, aqui reportei-me à 10.ª, da Caminho.

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