Factos & Documentos

Nº 1737 - Out/Inv 2016
Publicado em Factos e Documentos por: Revista Seara Nova (autor)

Piores candidatos

"Eleições disputadas entre dois dos piores candidatos da história recente dos EUA, ainda que por diferentes razões. Donald Trump evidenciou, sem rebuço, por que não pode ser o Presidente do mais decisivo país do mundo: ignorante, fantasioso, preconceituoso, perigoso. Hillary Cinton transporta o mais bafiento lado do establishment de Whashington: convencida, rodeada de Wall Street por todo o lado, arrogante e sem ideias".

Bagão Félix

Público, 8 de Novembro de 2016

 

Comunistas e cristãos

"O papa Francisco comparou os comunistas a cristãos, numa entrevista publicada, dia 11, pelo jornal italiano La Republica. «São os comunistas que pensam como os cristãos. Cristo falou de uma sociedade em que os pbres, os débeis e os excluídos é que decidem. Não os demagogos, os Barrabás, mas o povo, os pobres, tenham fé em Deus ou não, mas são eles que temos de ajudar a obter a igualdade e a liberdade»".

Avante!, 17 de Novembro de 2016

 

Dignidade humana

"Não ter trabalho nem receber um salário justo, não poder ter uma casa ou uma terra onde habitar, ser discriminado pela fé, a raça, a posição social... estas e muitas outras são condições que atentam contra a dignidade da pessoa. (...) Enquanto houver um pobre à porta não pode haver justiça nem paz social".

Papa Francisco

Público, 22 de Novembro de 2016

 

Mudar de rumo

"Já quase ninguém se lembra que o tiro de partida do pós-eleições foi dado pelo PCP, quando, na própria noite eleitoral, disse com clareza que o «PS só não formava Governo se não quisesse». Um partido como o PCP não dá um passo dessa dimensão - um dos mais arriscados da sua história - sem estar seguro do caminho a seguir e, muito menos, a pensar mudar de rumo ao primeiro solavanco".

Ricado Costa

Expresso, 3 de Dezembro de 2016

 

Mudam-se os ventos

"Cinco anos, 400 mil mortos e um milhão de refugiados depois, o regime de Damasco está prestes a reconquistar a cidade de Alepo, a segunda maior do país, uma vitória que pode ditar a curto prazo a derrota dos diferentes grupos terroristas que se instalaram na Síria depois das miseráveis Primaveras Árabes de 2011, apoiadas e financiadas de forma criminosa e irresponsável pelos Estado Unidos de Obama, pela França de Sarkozy e Hollande, pela Alemanha de Angela Merkel e pela Turquia de Erdogan, que também levaram o caos e a morte ao Egito, à Líbia e à Tunísia. O chamado mundo ocidental e civilizado levou a barbárie a um país que já tinha combatido e vencido os terrosristas da Irmandade Muçulmana, nos anos 80. Com o falso argumento do combate à ditadura de Assad e de apoio a grupos amantes da liberdade e da democracia. Como se o Estado Islâmico e uma filial da Al-Qaeda fossem amantes da liberdade e da democracia. O verdadeiro objetivo era derrubar um regime que tem na Rússia o seu grande aliado. O verdadeiro objetivo era afastar Moscovo do Médio Oriente e do Mar Mediterrâneo. Afinal, as contas saíram furadas. Assad e as suas forças resistiram ao assalto ocidental e terrorista, com o apoio firme da Rússia de Putin e dos seus aliados xiitas do Irão e do Líbano. Mas a falta de vergonha dos líderes ocidentais é tal que andam pela comunicação social a chorar baba e ranho pelos terroristas que ainda estão em Alepo e pelos civis que, nestes casos de guerra civil, serviram de escudos humanos dos bandidos armados".

António Ribeiro Ferreira

i, 12 de Dezembro de 2016

 

Viver em 16m2

"Ficámos muito preocupados com as condições em locais de habitação informal, nomeadamente em Loures, onde há comunidades a viverem sem eletricidade nem água canalizada. Estive no Porto, nas chamadas «ilhas» onde as pessoas vivem em condições deploráveis. Nunca tinha visto nada assim. São casas com 16 metros quadrados, com condições terríveis: materiais degradados, escorrimentos de água, ratos. É uma verdadeira crise em termos de direitos humanos, com muitas pessoas doentes nas famílias que contactei por causa das condições em que vivem".

Leilani Farha, Relatora especial da ONU para o direito à habitação condigna

Diário de Notícias, 14 de Dezembro de 2016

 

America alone

"A diplomacia clássica está muito longe da «diplomacia do negócio» (transactional diplomacy) preconizada por Trump. Anota a revista The National Interest: «Ao contrário dos negócios internacionais, a política externa e a segurança nacional envolvem questões de guerra e paz e, por extensão, de vida e morte». Trump e Tillerson, homens de negócios, partilham da moda da política «transnacional» ou contratual. (...) É o método do business aplicado à diplomacia. (...) Pequim dispõe de meios de retaliação perante Washington - não é apenas uma «grande fábrica» exportadora, detém uma grande parte da dívida americana. (...) «Negociar com a China eficazmente (...) é uma tarefa para profissionais experientes, e não para amadores bombásticos viciados no Twiter». (...) «Os negócios [deals] não substituem os aliados e tweets furiosos não restauram o poder e o pretígio», conclui o analista Philip Stephens no Finantial Times. E pode acabar por se voltar contra os próprios Estados Unidos: «America Firts parece-se muito com America Alone».

Jorge Almeida Fernandes

Público, 14 de Janeiro de 2017

 

Pluralismo

"O problema do pluralismo na actual informação não está em substituir um pelo outro - está em cada vez mais os órgãos de informação alinharem pelo «pensamento único», que nasceu no "jornalsimo económico" nos anos da crise de 2008 em diante e se consolidou com força durante os anos da troika e de Passos Coelho. Foi nessa altura que a direita portuguesa ganhou a batalha ideológica à esquerda e com um litle help from my friends, bastante grande aliás, está a consolidar e expandir posições. Esses amigos, os conhecidos e os desconhecidos, envolvem interesses económicos, investimentos de dúbia origem, como acontece com os angolanos, lobbies políticos e ideológicos que se organizaram mais agressivamente perante o legado da intervenção da troika, apontando como alvo da austeridade a classe média e os mais pobres, desequilibrando as leis do trabalho a favor do patronato, e pretendendo «limpar» o país das «oligarquias», ou seja, dos sindicatos, dos intelectuais, dos jornalistas incómodos, de quaisquer pessoas que se lhe oponham".

José Pacheco Pereira

Público, 21 de Janeiro de 2017

 

Cumprir as regras

"Depois de enviar ontem ao Governo português uma carta em que refere a existência de «riscos de desvios significativos» no Orçamento português, o comissário europeu Pierre Moscovici traçou nesta quarta-feira um cenário bem mais benigno em relação às negociações que irá ter agora com o Governo, afirmando que Bruxelas apenas está necessita de «informações precisas» para confirmar «o sentimento de que Portugal está a cumprir as regras».Numa conferência de imprensa realizada em Bruxelas em que foi questionado sobre as cartas enviadas a seis países sobre os planos orçamentais para 2017, Moscovici afirmou que em relação a Portugal, «o esboço do Orçamento recebido parece estar dentro dos critérios exigidos pelas regras». «Precisamos de saber de forma mais precisa que medidas são planeadas por Portugal para atingir os objectivos estruturais”, disse o comissário, que revelou ainda ter discutido este tema com o ministro das Finanças português “em diversas ocasiões durante as semanas mais recentes»”.

Público, 26 de Outubro de 2016

 

Óscar colectivo

"Segundo o comunicado oficial das Finanças, «em 2016, o défice das Administrações Públicas diminuiu 497 milhões de euros face a 2015, situando-se nos 4.256 milhões». O défice deste ano não foi o blockbuster que poderá parecer, mas com a ajuda da estrela revelação do Orçamento – as medidas extraordinárias -, é um resultado digno de louvor. Do que os dados transparecem, não há grandes dúvidas que possam fazer o défice final ficar muito diferente (para pior) do que anunciou António Costa. Assim, decidimos atribuir um óscar coletivo, partilhado por todas as medidas extraordinárias implementadas ao longo de 2016".

Observador, 30 de Janeiro de 2017

 

Aprovado

A proposta de Orçamento do Estado para 2017 foi aprovada hoje no Parlamento, com votos a favor de toda a esquerda – PS, PCP, Bloco de Esquerda (BE), Partido Os Verdes (PEV) – e do PAN. PSD e CDS-PP votaram contra.

Jornal de Negócios, 29 de Novembro de 2016

 

Resistir

"Houve também um apelo do jornalista Nicolau Santos, do Expresso, para que o congresso - e por conseguinte a profissão - não se transformasse "num muro de lamentações". Porque, constatou, «o jornalismo sempre foi resistência, resiliência e luta contra as pressões». A esse propósito, de resto, Nicolau Santos deixou fortes críticas ao que considerou ser a recente deriva do jornalismo económico para o papel de «suporte da troika, dos banqueiros e do programa de ajustamento» e pediu capacidade para «resistir às investidas que tem havido contra o jornalismo». «Há sempre alternativa no jornalismo e na vida», disse".

Expresso, 14 de Janeiro de 2017

 

Direita em peso na UE

"António Tajani foi eleito presidente do Parlamento Europeu. E com essa eleição baralhou muitos dos equilíbrios em que assenta a política europeia. É com Tajani a liderar os 750 eurodeputados há dois pesos que ficam a valer mais nesta balança que se chama União: Itália torna-se o país de origem dos líderes de três das principais instituições que compõem a Europa e o Partido Popular Europeu reforça a sua supremacia nos altos cargos. (...) A tentativa de deixar de fora os vários grupos anti-europeus que têm vindo a ganhar força no Parlamento Europeu foi, aliás, uma das justificações para que os liberais decidissem apoiar Tajani, na certeza de que a «Europa está em crise»".

Visão, 14 de Janeiro de 2917

 

Abutres e passarocos

"Ainda não consegui descortinar razões profundas que tenham justificado o imbróglio criado por Governo, confederações patronais e UGT, ao assumirem a descida da TSU como «moeda de troca» para a atualização do salário mínimo nacional (SMN) no valor que o Governo já havia determinado, no pleno exercício das suas responsabilidades e no cumprimento de compromissos estabelecidos com a base parlamentar que o apoia. (...) O mais desconcertante nesta polémica sobre a Concertação Social é o surgimento em cena, não só de abutres da Direita, mas também de passarocos de mau agoiro como Francisco Assis, que esconjuram caminhos alternativos e veem em pequenas feridas a morte dos compromissos que suportam um Governo e uma maioria parlamentar portadores de oxigénio e esperança para a vida dos portugueses. Não se precipitem!".

Manuel Carvalho da Silva
Jornal de Notícias, 22 de Janeiro de 2017

 

Sem graduações

"Continuamos a considerar que, tendo em conta a realidade e a avaliação das PPP, não é o caminho para valorizar o Serviço Nacional de Saúde (SNS), que seja atirado para o privado tanto a construção como a gestão [dos hospitais]», opinou ainda Jerónimo de Sousa relativamente às próximas decisões do executivo neste âmbito. O secretário-geral comunista sublinhou que «o Estado tem responsabilidades na defesa do SNS», uma «área do sector público que deve ser reforçada no plano dos serviços e do financiamento». «Não fazemos graduações. Estivemos e estamos contra as PPP», concluiu.".

Expresso, 23 de Janeiro de 2017

 

O homem

"Percebe-se que o homem, abalado pelo TSUnami e frustrado pela inutilidade de tanto esforço, tenha entrado em desespero e feito um ultimato, a semana passada, ao estilo «ou ele ou eu». As palavras foram, mais coisa menos coisa, «não nos sentaremos à mesa das negociações, nem assinaremos qualquer aditamento» se a CGTP quiser entrar na discussão. O homem esperava certamente que um coro se fizesse ouvir em seu apoio. Azar. Respondeu-lhe o silêncio. (...) O homem não vai faltar à chamada e amanhã lá estará, lado a lado com os patrões, esses ingratos, a assinar como de costume o que tiverem por bem chamar de acordo, sem outro peso na consciência que não seja o da caneta com que escreve o seu nome: Carlos Silva. Para a eventualidade, pouco provável, há que reconhecer, de o secretário-geral da UGT de serviço ser assaltado por uma réstia de pudor devido à sua falta de coerência, deixamos uma sugestão: não se sente, homem, assine de pé".

Anabela Fino

Avante!, 2 de Fevereiro de 2017

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