Variegadas adesões

Nº 1732 - Verão 2015
Publicado em MUD por: Redaccao Seara Nova (autor)

A população portuguesa submetida a uma férrea política repressiva com perseguições, prisões, tortura e morte a que eram submetidos tantos cidadãos que lutavam por pão e liberdade, sentiu, com a criação do MUD, um forte alento e viveu, a partir de então, com a esperança de que a situação poderia efectivamente alterar-se. Aproveitou o momento político proporcionado pelo MUD e abraçou de imediato os objectivos democráticos prosseguidos pelo Movimento como se constata pela rapidez com que se registaram variegadas adesões provindas de Lisboa e posteriormente das restantes regiões. Foram aos milhares - quinze dias depois do advento do MUD registavam-se, já, 50.145 assinaturas de cidadãos sem medo, apostas em 2.149 listas - o que serviu para dar uma ideia da ordem de grandeza do movimento oposicionista. Mais tarde, seriam tornados públicos outros números de apoiantes de todo o País, numa demonstração inequívoca da disposição do Povo na luta contra o regime salazarista.

Referir os seus nomes e proveniências dos aderentes é uma tarefa ingente. No entanto, entendemos ser interessante referir alguns dos que, desde professores a comerciantes e vultos da ciência, foram anunciados nas páginas da Seara Nova que, apesar da censura, teimava em noticiar iniciativas do MUD: Prof. Bento de Jesus Caraça, Prof. Irene Lisboa, Manuel João da Palma Carlos, advogado, João de Barros, professor e escritor, Prof. Abel Salazar, escritor Alves Redol, autor dos textos sobre cultura publicados pelo MUD, compositor Fernando Lopes Graça, poeta Gomes Ferreira, José Dias Pegado, carpinteiro, João Alves comerciante, José Marques dos Santos, escrivão de direito, Manuel José Nunes, regente agrícola, Prof. Henrique de Barros, Prof. Manuel Valadares, Prof. Fernando da Fonseca, Mário Neves, jornalista, Mário Sales e Luís Otero Lourenço, funcionários públicos, prof. Alda Gonçalves, arquitecto José Segurado, Prof. Ferreira de Macedo, padre Joaquim Alves Correia, Prof. Câmara Reys, Prof. Emilio Costa - estes quatro últimos do Grupo Seara Nova a que se juntariam muitos outros seareiros.

Augusto Cortezão Casimiro e Mário Soares, estudantes universitários, Humberto Pelágio, advogado, pintores Pedro José Pinto e Cândido Costa Pinto, Raul Worm, comerciante, Prof. Pulido Valente, Prof. António Sérgio, António Ramos de Almeida, escritor e advogado, Prof. Duarte Leite, Prof. Remy Freire, F. de Abreu, construtor civil, Eduardo Laranjinha, industrial, Prof. Cascão de Ansiães, escritor Assis Esperança, jornalista Cristiano Lima, Fernando Mayer Garção, Heliodoro Caldeira, Abranches Ferrão, advogados, Artur Inez, jornalista, Carvalhão Duarte, director do Jornal República, Ramon de la Féria, médico, Álvaro Salema, Prof. e jornalista, Castro Soromenho, escritor, Custódio Maldonado Freitas, farmacêutico, escritor, Joaquim Ramos Munhá, Júlio Borges, Jaime Borges Lima, comerciantes, Júlio de Almeida, empregado de comércio, José Gamboa, veterinário, Joaquim António Teixeira, proprietário, Armando Ventura Ferreira, escritor, Boavida Portugal, jornalista, Rui Hasse Ferreira, médico, Ernesto Brandeiro de Matos, oficial da marinha mercante, Pedro Monjardino, médico, João Lopes Raimundo, engenheiro, Mário Rocha Taveiro, ferroviário, Eduardo Ferro Rodrigues, advogado, Jorge Silva Araújo, cirurgião, Prof. Marques da Silva, Carlos Gonçalves Coelho , reformado, José Henrique Costa Pereira, oficial do exército, Prof. Cyrillo Soares, prof. Ruy Telles Palhinha, Prof. Branquinho de Oliveira, Oliveira Lança, agricultor, Aulânio Lobo, engenheiro, António Candeias Duarte, professor primário, José Ribeiro dos Santos, Nuno Rodrigues dos Santos, advogado, Olívio França, advogado, Retílio Andrade Santos, bancário, Hélio Vieira Quartim, funcionário público, Raul Weelhouse, médico.

Na altura, o escritor Ferreira de Castro remeteu ao director da Seara Nova, Câmara Reys, um cartão com esta mensagem:

"Felicito-vos calorosamente, à Seara Nova, e a todos os organizadores da já agora histórica reunião do Centro Almirante Reis, princípio de novos ideais que são de triunfar".

Em conjunto aderiram com entusiasmo, através de uma carta enviada de Coimbra, os escritores Miguel Torga, Paulo Quintela, António de Sousa, Joaquim Namorado, João José Cochofel, Carlos de Oliveira, Egídio Namorado, J. Rodrigues Pereira, Henrique Santo, José Ferreira Morte e Arquimedes Silva Santos, poeta, mais tarde licenciado em medicina, que seria o autor do Hino do MUD, musicado por Fernando Lopes Graça. Adolfo Casais Monteiro também por carta manifestaria o seu total apoio.

A leitura de nomes, profissões, géneros e idades dão-nos uma ideia sobre a qualidade e quantidade dos que, em tempos tão difíceis, aderiram, sem hesitações, ao Movimento de Unidade Democrática que abrangia todo o espaço português. Até das colónias chegaram listas de apoiantes a uma organização unitária que lançou nos espíritos dos portugueses a esperança de que o fascismo seria derrotado. Mas, só ao fim de quase trinta anos, o regime caía de podre com o Povo irmanado, em 25 de Abril, com o Movimento das Forças Armadas.

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