Congresso da Cidadania

Nº 1731 - Primavera 2015
Publicado em Nacional por: Redaccao Seara Nova (autor)

A Associação 25 de Abril promoveu um Congresso da Cidadania intitulado Ruptura e Utopia para a Próxima Revolução Democrática. A propósito desta realização o coronel Vasco Lourenço, declarou publicamente: queremos romper com as práticas políticas que nos trouxeram à situação em que estamos hoje. A ruptura deve ser democrática, devem ser os agentes políticos a promovê-la. Se a ruptura, que consideramos inevitável, não for democrática, está a abrir portas à ruptura violenta que não queremos. A população, os cidadãos, não aguentam muito mais. Se não houver quem democraticamente encontre soluções para romper com o estado das coisas, a revolta vai verificar-se e a violência vem aí. É a nossa convicção. Como não somos pela violência, que normalmente sabe-se como começa, mas nunca se sabe como acaba, não sabemos quais as consequências de uma ruptura violenta. Tudo faremos para que a ruptura seja democrática, pacífica.

É um congresso da cidadania. Queremos que se abram espaços para que seja possível, a seguir às legislativas, em que provavelmente voltará a haver uma pulverização de resultados como nas europeias, fazer outro tipo de acordos do que aqueles que têm sido feitos, sempre à volta de três agentes do chamado arco de governação, que deram nisto. Não pretendemos ser a solução, queremos ajudar a que a solução aconteça.

Tratou-se de um congresso, realizado com o apoio do Montepio, da Fundação Oriente e da Fundação Gulbenkian, para o qual foram convidadas várias personalidades, entre as quais os antigos Presidentes da República, Ramalho Eanes e Jorge Sampaio. Registaram-se algumas dezenas de intervenções sobre "Regeneração do Sistema Político", "Rumo Estratégico para Portugal" e "Recuperação da Economia. Devolver a Esperança e preparar o Futuro".

Os intervenientes expressaram as suas opiniões sobre assuntos tão variados como os dizem respeito à participação cidadã e os movimentos sociais, à abertura dos partidos políticos e o fim do seu monopólio, às leis eleitoral e dos partidos políticos, à inovação política na Europa, à corrupção, ética e justiça, à supremacia do poder democrático sobre os outros poderes. Uma estratégia de ruptura progressista para Portugal, os grandes espaços políticos e as alianças, a União Europeia, o espaço atlântico e a lusofonia, a reestruturação da dívida e o controle democrático do poder económico e a repartição da riqueza entre trabalho e capital também mereceram a atenção dos participantes.

Houve, sem dúvida, certas posições interessantes, mas também se ouviram outras bem discutíveis nomeadamente quando se atacavam os partidos políticos sem qualquer diferenciação. Seja como for, possibilitou-se uma larga troca de impressões sobre possíveis saídas para a dramática situação criada ao País por sucessivos governos que têm aplicado constantes políticas de direita, contrárias aos verdadeiros interesses nacionais.

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