Factos & documentos

Nº 1728 - Verão 2014
Publicado em Factos e Documentos por: Revista Seara Nova (autor)

A culpa é dos portugueses?

"700 euros é muito pouco para uma pessoa viver, o que torna mais grave a circunstância de 85% dos portugueses terem isso".

Poiares Madura, ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, com a tutela da Comunicação Social e das Autarquias Locais

Expresso 12 de abril de 2014

 

Travão ou acelerador?

"«O CDS tem tido o papel de contenção de expansão à direita», ao tomar nas mãos a defesa da causa soberanista ou dos antigos combatentes na guerra colonial".

Expresso, 3 de Maio de 2014

 

Graças ao DEO

"Demos graças ao DEO, porque este documento era exigido pela troika para terminar a última avaliação ao programa de ajustamento português. Demos graças ao DEO, porque é para vigorar entre 2014 e 2018, apesar de haver eleições legislativas em 2015, o que quer dizer que continuaremos a ser governados pelos ditames da troika mesmo após a sua saída. Demos graças ao DEO, porque ele permitiu ao primeiro-ministro não nos lembrar que é só empobrecendo que saímos desta situação, que foi o que disse no princípio do ajustamento. Ite, missa est. Deo gracias!".

Nicolau Santos

Expresso, 3 de Maio de 2014

 

Convidados desrespeitados

"Do grupo de especialistas convidados pelo Governo para substituir a CES, a penas a contribuição dos constitucionalistas de Coimbra foi tida em conta. Vieira de Andrade e João Loureiro avalizaram a solução de aumentar a TSU e o IVA (...) Os restantes quatro «sábios», todos eles académicos da área da Segurança Social, defenderam uma reforma profunda do sistema de pensões, alegando que o risco de rutura era inevitável com o atual modelo de financiamento e as fórmulas de cálculo das reformas em pagamento. O Governo não aceitou".

Expresso, 3 de Maio de 2014

 

Teimosia

"Como é possível o Presidente da República achar que o podemos levar a sério, quando terça-feira comporta-se como um agente da dissensão, da crispação, da revanche, do ressabiamento, e sexta-feira apregoa a "cultura de compromisso"? Mal estamos quando até a instituição que deve zelar pelo regular funcionamento das instituições democráticas teima em não funcionar regularmente. Mas a que deuses fizemos tão mal?".

Pedro Marques Lopes

Diário de Notícias, 11 de Maio de 2014

 

Vida real

"Na vida real, os chumbos do Tribunal Constitucional são compreensivos. Dura lex, sed lex, mas só daqui para a frente, não há retroatividade, o que é muito conveniente. O valor a compensar é menor, evitando-se um cataclismo de impostos. O Constitucional dá com os pés, mas dá uma mão ao mesmo tempo".

Pedro Santos Guerreiro

Expresso, 31 de Maio de 2014

 

Mesquinhez

"Depois, esquecemos tudo. Até a miséria esfarrapada do nosso esfarrapado viver. Protestamos sem ira nem cólera. Protestamos com estribilhos e dizeres em cartazes, e vamos à vida que se faz tarde. Somos o Mundial! Gritam as televisões, todas as televisões, durante todo o dia, e enviados especiais embevecidos, comentadores severos, especialistas engravatados e graves ensinam-nos as razões por que perdemos. Lá vamos, cantando e rindo. Dizia o O'Neill: "Às duas por três nascemos/ às duas por três morremos/ e a vida?, não a vivemos." O O'Neill é como o Pessoa: serve para explicar o aparentemente inexplicável. Lemos os jornais, os que lêem, claro!, e o fastio é tanto que só sabemos de futebol: decoramos os nomes, os lances e as jogadas, nada de mais nada. Somos assustadoramente ignorantes, iletrados contundentes, fecham-se escolas, reduz-se o dinheiro para o ensino, os miúdos vão para as aulas em jejum, e temos, temos é como quem diz..., três jornais diários consagrados ao futebol, fora o que escorre, uma multidão de programas de, sobre e com futebol e adjacências; o mesquinho na mesquinhez elevado ao quadrado".

Baptista-Bastos

Diário de Notícias, 18 de Junho de 2014

 

Inside job

"Na vida real, Nélson de Sousa, o brasileiro morto a tiro, em 2008, por um "sniper" da PSP, quando tentava roubar umas centenas de euros do balcão do BES em Campolide, ainda estaria hoje vivo e a vibrar com a proteção que a N. S.ª de Caravaggio tem dispensado à canarinha, se tivesse visto Inside man e aprendido que no séc. XXI os bancos já não se assaltam de fora , como no Bonnie & Clyde, mas a partir de dentro. A melhor maneira para assaltar um banco é administrá-lo. O Conselho de Administração é o local de excelência para roubar um banco, como ficou magistralmente demonstrado nos casos BPN e Banco Privado. Assaltar um banco passou a ser um inside job".

Jorge Fiel

Jornal de Notícias, 30 de Junho de 2014

 

Mentira

"Literalmente, de um dia para o outro a situação passou de novo resgate, perda de perda de dois mil milhões e mais impostos «por causa» do TC - que foi insultado a granel -, a situação tão desafogada, que até dispensa os horas antes tão chorados dois mil milhões da «tranche». Nada disto é inacreditável porque tudo neste Governo é possível, desde que não tenha a ver com honestidade, princípios, ética ou elementar democracia. O relaxo é tanto que a mentira circula como o sangue deste Executivo, já ninguém se parece importar com as contradições flagrantes, os desmentidos em cascata, as mentiras desavergonhadas, a incoerência dos discursos, a óbvia e total ausência de escrúpulos a que reduziram o acto governativo".

Henrique Custódio

Avante!, 19 de junho de 2014

 

Zombaria

"Primeiro, Cavaco Silva previu uma espiral recessiva. E a economia começou a crescer timidamente. Agora, Cavaco Silva disse que o medo devia dar lugar à esperança. E a economia dá sinais de recuo e estagnação. De duas, uma: ou a economia anda a zombar do Presidente da República ou eles, na Universidade de York, dão doutoramentos a quem não percebe nada do assunto".

Ricardo Araújo Pereira

Visão 26 de Junho de 2014

 

"É uma praga! Qualquer político nacional ou europeu no poder aproveita todas as oportunidades discursivas e a definição de medidas políticas para apresentar a receita milagrosa com que pretensamente se resolve a "crise" em que o país e a União Europeia (UE) estão mergulhados: as reformas estruturais. Em nome dessas "indispensáveis" reformas estruturais é desestruturado o modelo social europeu - assumido durante décadas como a vantagem distintiva da UE perante o Mundo - as disponibilidades financeiras são canalizadas para setores especulativos e rentistas e não para investimento em atividades de produção de bens e serviços úteis e necessários ao desenvolvimento da sociedade. Que reformas são essas que criam pobreza, que aprofundam injustiças e desigualdades, que secam as atividades culturais, que devoram direitos no trabalho e cilindram o direito do trabalho, que querem estigmatizar os emigrantes, que colocam em causa a soberania dos povos e a independência dos estados?".

Carvalho da Silva

Jornal de Notícias,14 de Junho de 2014

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