Autárquicas 2013 Coligação governamental fortemente punida

Nº 1725 - Outono 2013
Publicado em Nacional por: Redaccao Seara Nova (autor)

As eleições autárquicas do dia 29 de Setembro ditaram sorte igual a todas as forças políticas com assento parlamentar, com uma única excepção: a Coligação Democrática Unitária foi a única a melhorar os resultados obtidos há quatro anos. Nota significativa foi o valor da abstenção que subiu cerca de sete pontos percentuais e atingiu quase os 48%, no território continental; o valor mais elevado registado, desde 1976, em eleições autárquicas. Portalegre foi o distrito em que se registou a menor taxa de abstenção – 36,8% -, do lado oposto está o distrito de Setúbal em que a abstenção atingiu os 58,3%.

A coligação de comunistas e ecologistas foi ainda a única força política com assento parlamentar a não ser penalizada pela elevada abstenção registada, no território continental, conseguindo mesmo arrecadar mais 12.996 votos do que há quatro anos (539.694 em 2009; 552.690 em 2013). O PS perdeu 272.353, passando de 2.084.382 para 1.812.029 votos, e o Bloco de Esquerda (BE) ficou com menos 46.119 votos – 167.101 conseguidos em 2009 contra 120.982 alcançados em 2013.

Quanto aos partidos da coligação governamental, nem mesmo participando em coligações com outros partidos conseguiram evitar a sanção do eleitorado. Isolado o PSD perdeu 435.742 votos e o CDS caiu 18.976; coligados entre si ou com outros partidos viram ser-lhes retirados 261.742 votos. Tudo somado, os partidos da direita conservadora arrecadaram um prejuízo de 716.460 votos, descendo dos 2.313.675 votos obtidos em 2009 para os 1.597.215 que conseguiram recolher em 2013.

Aveiro

Embora perdendo votos (em valores percentuais e absolutos), o PS conseguiu ser o partido mais votado, neste distrito, ao contrário do que sucedeu em 2009, com o PSD a liderar então as escolhas do eleitorado. CDU e CDS foram as duas forças políticas que cresceram em número de votos, conseguindo a segunda mais mandatos que em 2009. No distrito de Aveiro, a abstenção cresceu de 39,2% para 45,8%, entre 2009 e 2013.

Beja

Este é um distrito em que a abstenção, embora subindo apenas 2,5 pontos percentuais (35,1% em 2009; 37,6% em 2013), atingiu todos os partidos com assento parlamentar que viram as suas votações recuar em relação a 2009. O crescimento da abstenção levou a que, em termos percentuais, o PS registasse uma ligeira subida, insuficiente porém para garantir o número de mandatos alcançados em 2009, mas suficiente para se manter como a força mais votada. No que respeita a mandatos, a CDU foi a única que cresceu, conseguindo recuperar a presidência da Câmara Municipal de Beja, que perdera em 2009.

Braga

Embora percentualmente PSD e CDS coligados tenham conseguido crescer em termos percentuais, neste distrito apenas a CDU aumentou a sua expressão eleitoral, com mais votos absolutos e mais mandatos atribuídos. No distrito de Braga, a abstenção cresceu mais de cinco pontos percentuais – 32.,2% em 2009 contra 37,4% em 2013.

Bragança

No distrito do Nordeste transmontano, CDU e CDS viram dilatar-se as suas votações quando comparadas com 2009, o que permitiu ao CDS obter mais um mandato nas câmaras municipais, muito embora tenha sido o PSD isolado a ver a sua representação nestes órgãos autárquicos aumentar (de 19 para 26 mandatos). Embora mantendo-se como partido mais votado, o PS perdeu quatro mandatos, no que às câmaras municipais diz respeito. No distrito de Bragança, a abstenção subiu de 36,7 para 39,8%.

Castelo Branco

Neste distrito, apenas a CDU conseguiu mais votos e mais mandatos. A abstenção que registou um crescimento de quase cinco pontos percentuais – 37,5% em 2009 contra 42,2% em 2013 -, entre outros factores, penalizou fortemente os partidos da coligação governamental, com o PSD a perder mais de 20 mil votos (49.705 em 2009; 29.415 em 2013) e o CDS mais de 1.500 (4.157 em 2009; 2.528 em 2013). O PS perdeu cerca de sete mil votos (54.11 em 2009; 47.692 em 20139 e o BE 800 (1.878 em 2009; 1.168 em 2013).

Coimbra

O PS recupera a câmara do concelho capital do distrito, depois de a ter perdido a favor do PSD em 2001, embora com menos votos do que os recebidos em 2009. Em termos de votação, mais uma vez, só CDU e CDS conseguiram crescer; no que respeita a mandatos nas câmaras municipais os únicos a conseguirem mais do que há quatro anos foram o PS e a CDU. A abstenção neste distrito aumento de 39,6% para 46,2%.

Évora

A CDU volta a presidir ao município de Évora e a ser a força mais votada no distrito. Foi ainda a força política que conseguiu crescer em termos eleitorais, passando de 31.142 votos em 2009 para 32.163 em 2013. O PSD concorrendo isolado passou dos 10.059 votos conseguidos em 2009 para 2.992 obtidos em 2013 e coligado com o CDS não conseguiu ir além de cerca de quatro mil votos mais do que há quatro anos. O PS perdeu cerca de nove mil votos – 36.385 em 2009; 27.767 em 2013 e o BE dois. No distrito de Évora, a abstenção subiu de 38,2% para 41,9%.

Faro

PSD E PS perdem, cada um, cerca de 20 mil votos e a CDU sobe mais de oito mil votos, sendo o distrito de Faro outro em que apenas a coligação entre comunistas e ecologistas conseguiu melhorar o resultado em votos absolutos, face a 2009. No tocante a mandatos, PS, CDU e BE cresceram. A abstenção situou-se acima dos 50% - 43,3% em 2009; 52,4% em 2013.

Guarda

Em termos de votos absolutos, apenas o PS recuou, permanecendo, no entanto, como o partido mais votado no distrito. Todos os outros partidos com assento parlamentar virão as suas votações crescer, na comparação com 2009, mas em termos de mandatos, o distrito de Castelo Branco revelou-se excepção: só PSD e CDS melhoraram as representações nas câmaras municipais, com os social-democratas a conquistarem ao PS a Câmara Municipal de Manteigas. Embora com menos votos no distrito do que em 2009 - no concelho de Aguiar da Beira, os socialistas não apresentaram candidatura -, o PS retirou ao PSD as câmaras municipais de Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres e Trancoso. Neste distrito, a abstenção subiu de 35% para 38,3%.

Leiria

Apenas o PS e o CDS conseguiram aumentar as suas representações nas câmaras municipais do distrito, embora os socialistas, ao contrário dos centristas, tenham perdido votos, tal como as restantes forças políticas com assento parlamentar. No distrito de Leira, a abstenção subiu quase sete pontos percentuais, passando dos 42,6% registados em 2009 para 49,5% em 2013.

Lisboa

No distrito que acolhe a capital do País, a principal nota vai para o abrupto decréscimo da coligação PSD/CDS; em 2009 recolheram 145.793 votos, em 2013, 7.253. Ao facto não será alheio os maus resultados conseguidos no concelho de Lisboa (menos 57 mil votos, ou seja, metade dos votos alcançados em 2009), no de Sintra (menos cerca de 45.400 votos) e perdas muito significativas de eleitorado em municípios como Cascais (menos nove mil votos, embora tendo ganho a eleição da Câmara Municipal), Odivelas (menos quase 11 mil votos, com PSD e CDS a concorrerem separados) e Amadora (cerca de menos seis mil votos). Nota curiosa: no concelho de Oeiras, concorrendo sozinho, o PSD conseguiu melhorar o resultado de há quatro anos, quando concorreu coligado com o CDS e o PPM. No distrito de Lisboa, só a CDU e o CDS alargaram as respectivas votações, quer percentualmente quer em valores absolutos, o que implicou mais mandatos nas câmaras municipais, subida que foi também partilhada pelo PS. De referir que a CDU recupera a presidência da Câmara Municipal de Loures, perdida em 2001 para o PS e reforça a sua presença na Área Metropolitana de Lisboa. No distrito, a abstenção superou os 55% - 47,9% em 2009; 55,5% em 2013.

Portalegre

Mais uma vez, CDU e CDS são as únicas forças políticas a crescer em número de votos e de mandatos, na eleição das câmaras municipais, com a coligação entre PCP e PEV a subir para o segundo lugar como força mais votada, à frente do PSD. A abstenção subiu de 33,2% para 36,8%.

Porto

Neste distrito, os partidos da coligação governamental, juntos ou separados, perderam mais de 200 mil votos. No concelho da cidade invicta, o CDS optou por apoiar a lista constituída por um grupo de cidadãos que conquistou a Câmara Municipal, mas no conjunto dos municípios do distrito do Porto em que concorreu isolado perdeu votos. Apenas a CDU conseguiu subir em votação; em número de mandatos atribuídos para além da coligação PCP/PEV, o PS também cresceu. A abstenção registou uma subida de quase oito por cento – 36,4% em 2009; 44% em 2013.

Santarém

Em número de votos e de mandatos somente a CDU conseguiu melhorar os resultados de 2009, embora tenha perdido a presidência da Câmara Municipal da Chamusca. O BE perdeu a presidência da única câmara municipal que tinha no País – Salvaterra de Magos, enquanto que o PS recuperou Tomar. A abstenção passou de 40% para 46,3%.

Setúbal

Um distrito que se caracterizou, nas autárquicas de 29 de Setembro, por registar o valor mais elevado de abstenção – 58,3% -, o que penalizou todos os partidos com assento parlamentar; todos viram o seu número de votos expressos encolher. Os mais penalizados, porém, acabaram por ser o PS e o BE que perderam mandatos nas câmaras municipais, enquanto que CDU, PSD e CDS aumentaram as respectivas representações. Em 2009, o distrito de Setúbal registou uma abstenção de 50,4%.

Viana do Castelo

Também neste distrito, somente a CDU cresceu em número de votos absolutos e elegeu um vereador na Câmara Municipal de Viana do Castelo. O CDS e o PSD também cresceram no que respeita a número de mandatos, tendo o PS sido o único a perder representantes nas câmaras municipais. O BE não apresentou candidatura neste distrito, em que a abstenção subiu de 39,2 para 42,6%.

Vila Real

PS e CDU aumentaram as votações, os socialistas passaram para primeira força mais votada no distrito, superando o PSD, e a coligação PCP-PEV ultrapassou o CDS colocando-se na quarta posição. De notar que na comparação com os resultados de há quatro anos, no distrito de Vila Real, nos concelhos em que concorreram coligados, PSD e CDS recuaram mais de 6.500 votos e naqueles em que apresentaram candidaturas separadas, o PSD perdeu cerca de oito mil votos e o CDS cerca de três mil. A abstenção passou de 39,3 para 42%.

Viseu

Em votos, apenas a CDU e o BE cresceram, porém, mesmo conseguindo menos votos do que há quatro anos, o PS (85.309 votos em 2009 contra 85.078 em 2013) foi a força política mais votada, ultrapassando o PSD que isolado perdeu cerca de 50 mil votos neste distrito. Os socialistas foram ainda os únicos a dilatar a sua representação nas câmaras municipais conquistando seis câmaras municipais ao PSD, mas também perdendo as câmaras municipais de Tarouca e Mortágua para o PSD. No distrito de Viseu, a abstenção passou de 37,6% para 42,9%.

 

Regiões autónomas

Nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira, os resultados das autárquicas de 29 de Setembro têm assinaláveis diferenças, no que concerne às forças políticas com assento parlamentar. Há a registar ainda a igual tendência para o aumento da abstenção que no arquipélago da Madeira se situou em 47,48% (44,98% em 2009) e no dos Açores em 45,99% (43,24% em 2009).

Açores

No conjunto das nove ilhas, apenas o BE viu a sua votação aumentar; dos 1.605 votos conseguidos há quatro anos, passou para 2.070. O PSD é o partido que regista a maior perda de votos; isolado desceu cerca de 15 mil votos, coligado com o CDS e/ou o PPM mais de dois mil votos. Para os socialistas, os social-democratas perderam a presidência dos municípios de São Roque (Pico) e Nordeste (São Miguel), para os centristas a das Velas (São Jorge) e para uma lista de um grupo de cidadãos a da Calheta (São Jorge).

Por sua vez, o PS deixou de liderar o executivo municipal da Ribeira Grande (São Miguel), onde o PSD saiu vitorioso.

Importa referir que o BE apenas concorreu às câmaras municipais de Vila Praia da Vitória e Angra do Heroísmo, ambas na ilha Terceira, à de Ponta Delgada (São Miguel) e Horta (Faial), enquanto que a CDU não apresentou lista nos concelhos das Flores, Corvo, Graciosa, Velas (São Jorge), São Roque e Lajes (Pico), Nordeste e Povoação (São Miguel) e o CDS não concorreu no Corvo, Flores, Graciosa, Calheta (São Jorge), Nordeste, Ribeira Grande, Povoação e Vila Franca do Campo (São Miguel).

Madeira

Neste arquipélago, destaca-se sobretudo o fim da hegemonia do PSD no poder local. Dos onze municípios que integram a região autónoma da Madeira, seis deixaram de ser presididos por eleitos social-democratas, incluindo o do Funchal, sede a região, agora com a presidência ocupada pelo PS (concorreu coligado com o BE, PND, MPT, PTP e PAN), que conquistou ainda mais duas câmaras municipais ao PSD (Porto Moniz e Machico). O CDS conseguiu a presidência da Câmara Municipal de Santana e duas listas de grupos de cidadãos, apoiadas pelo PS, ganharam nos concelhos de São Vicente e Santa Cruz.

Quanto a votos, apenas CDU e CDS cresceram, na comparação com há quatro anos. O PSD perdeu mais de 25 mil votos, não sendo possível apurar as perdas ou ganhos do Partido Socialista, dado que houve municípios onde, pela primeira vez, surgiu em coligação e outros em que apoiou candidaturas de grupos de cidadãos.

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