Um construtor da unidade democrática

Nº 1724 - Verão 2013
Publicado em Herberto Goulart 1934-2013 por: Jose Pitacas (autor)

Bem gostaria de ter escrito esta nota laudatória do Herberto Goulart com ele, ainda, presente. Inesperadamente, as circunstâncias da condição humana fizeram com que se despedisse do mundo e da vida nele. E, assim, Herberto passou a estar ausente-presente entre nós.

Quem o conheceu e com ele conviveu, ficará marcado pela sua personalidade, pelas suas convicções, pela coincidência do estar e do ser.

Vi-o, pela primeira vez, durante a campanha política da CDE, em 1969, em plena resistência antifascista, ainda dava os primeiros passos na minha adolescência.

Mas, foi na última década, que tive a felicidade de privar com ele, de forma mais intensa, no âmbito da Seara Nova.

Humanista por formação e economista por formatura, Herberto foi um homem de muitos instrumentos na grande orquestra da vida social: gestor, deputado, autarca, sindicalista e dirigente associativo. Em todos e cada um deles, seguia, com a mesma convicção e coerência, a pauta da liberdade e da democracia, na busca incessante da harmonia possível e desejável entre as pessoas e as organizações democráticas e de esquerda. O objectivo era claro: construir um mundo mais justo, fraterno e solidário.

Essa linha de conduta estava também patente no seio do Conselho Redactorial da Seara Nova. Herberto era, sem dúvida, o principal operacional da Seara Nova, o organizador e distribuidor de "jogo", na edição de cada número da revista e na preparação de conferências e outros eventos.

Estava preocupado com a qualidade, a difusão e a sustentabilidade da revista, acreditando no renovado papel da Seara Nova como espaço de afirmação de valores democráticos, e promotor do diálogo, reflexão e unidade entre as pessoas e forças progressistas. Ele próprio era um diligente construtor dessa mesma unidade, que se reflectia nas suas propostas de temas a tratar e de colaboradores a convidar.

Herberto era um homem inquieto e comprometido que movia o próprio mundo nele; era um homem aberto e exigente que exercia uma acção crítica e pugnava por um ambiente em que a crítica fosse possível.

Em suma, Herberto Goulart foi um digno herdeiro e continuador do espírito seareiro.

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