Um seareiro exemplar

Nº 1721 - Outono 2012
Publicado em Memória por: Jose Pitacas (autor)

Nas nossas vidas, há situações, factos e pessoas que nos marcam, de forma indelével, ficando registadas na nossa memória, como uma referência e uma fonte de inspiração.

Tal é o caso de Ulpiano Nascimento, economista, cidadão e seareiro.

Tive o prazer de o conhecer pessoalmente e com ele me relacionar, ao longo da última década, período que corresponde à minha colaboração com a Seara Nova, de que Ulpiano Nascimento era diretor, desde 1979.

Nas reuniões de colaboradores e do Conselho Redatorial, nas sessões de divulgação, nos almoços comemorativos e em outras iniciativas seareiras, Ulpiano Nascimento era uma figura incontornável, pela sua presença e pela sua postura.

Um homem de saudação vigorosa e pensamento firme, com uma grande verticalidade física e ética, ouvinte atento e conversador enérgico, moderador e alentador.

Um antifascista resistente e um democrata persistente. Um homem do nosso tempo, com trajeto e projeto comprometidos com a liberdade, a democracia e a justiça social.

No seu olhar frontal e luzente e nas suas palavras sonantes irradiavam o espírito seareiro, afirmando, em cada momento, a identidade da Seara Nova enquanto espaço plural de encontro, reflexão e unidade do pensamento progressista, de rigor ético e de intervenção cívico-cultural.

Já no limiar de um século de existência, continuava a ter novas ideias e a apresentar novos projetos, continuava a sonhar, porque "o sonho é também acção", como grafou o poeta José Gomes Ferreira.

Ulpiano Nascimento foi um seareiro exemplar, um seareiro inteiro que, na expressão pessoana, foi todo em cada coisa e pôs quanto era no mínimo que fez.

O seu exemplo pertence ao património da Seara Nova.

Doravante, lembrar e homenagear um homem como Ulpiano Nascimento será mais do que ler e divulgar os seus escritos ou dedicar-lhe sessões solenes, terá de consistir, fundamentalmente, em promover o espírito seareiro e a continuidade da Seara Nova, nos tempos e nas condições hodiernas, mas sempre coerente com os seus valores democráticos e progressistas.

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