A crise capitalista

Nº 1719 - Primavera 2012
Publicado em Internacional por: Georgios Toussas (autor)

Manifestação do KKE, 2011
O KKE nunca se cansou, nem nunca se cansará de dizer aos trabalhadores o que vem dizendo desde o primeiro momento, quando a crise capitalista se manifestou simultaneamente a nível mundial: que se trata de uma crise do sistema capitalista. É uma mentira vulgar dizer que a crise do capitalismo na Grécia e na União Europeia é uma crise da dívida.

Hoje, todas as sugestões da social-democracia e do oportunismo, que foram promovidas a "remédios mágicos" para uma assim chamada saída "progressiva" da crise (Eurobonds, uma taxa sobre as transacções financeiras, a nacionalização de certos bancos), foram adoptados pela frente negra da UE, os governos burgueses (de centro-esquerda ou centro-direita) e os partidos do capital. Está provado que, enquanto o capital monopolista e o seu poder dominarem, todas estas medidas, incluindo as chamadas neo-liberais, todas as formas de gestão burguesa se transformam em rolos compressores, cilindrando as vidas e os direitos dos trabalhadores e em bóia salva vidas para os lucros da plutocracia e para a posição do capital da União Europeia dentro da cruel competição monopolista internacional.

O que se demonstra é que a saída para a crise a favor do povo não pode coexistir com condições de dominação monopolista.

Ofensiva mais Dura do Capital

A crise capitalista reforça as características reacionárias e a agressividade do capital monopolista dentro da União e em todo o mundo, de forma a assegurar a sua rentabilidade, colocando ao mesmo tempo o fardo da crise sobre a classe trabalhadora e as camadas mais desfavorecidas da população.

As decisões da cimeira europeia de 26-27 de Outubro sobre o incumprimento da dívida na Grécia:,com o "corte" da dívida grega em 50%, a ajuda aos bancos com 109 biliões de euros, a ajuda ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira e as alterações aos tratados europeus, protagonizam uma ofensiva mais dura e mais bárbara do capital contra os direitos e as vidas da classe trabalhadora, das classes desfavorecidas e da juventude.

As decisões da cimeira europeia sobre a zona euro e o incumprimento controlado da dívida grega, significam uma falência descontrolada do povo grego, visando a demolição das vidas dos trabalhadores na Grécia e em todos os estados-membros, de forma a compensar os bancos e outras formas do capital pelas perdas geradas pelo agravamento da crise do capitalismo.

A burguesia e os seus servidores políticos sabem que, do ponto de vista do desenvolvimento e da produção capitalista, a única saída para a crise é a destruição de parte do capital sobre-acumulado. Os compromissos entre os estados e os grupos bancários credores ou devedores, com vista a uma depreciação controlada do capital, são particularmente duros e frágeis.

As contradições entre as diferentes partes de capital da União Europeia pela divisão das perdas continuam intensamente. O compromisso é também frágil e de novo se provará ser temporário.

Reduzir o Custo da Força de Trabalho

O que une a EU, capital, partidos burgueses e governos, é a escolha estratégica para sobrecarregar a classe trabalhadora com a crise, para reduzir - ao ponto mais baixo possível - o custo da força de trabalho. É por isso que a escalada da ofensva anti-popular se aplica a todos os estados-membros da União e ultrapassa a questão dos défices orçamentais e do endividamento de alguns países. O objectivo real é o reforço da competitividade, não apenas face aos EUA, mas também face às potências emergentes China, Índia e outros, que possuem forças de trabalho muito mais baratas.

Manifestação sindical, Grécia, 2011

Manifestação sindical, Grécia, 2011

Nestes termos surgem questões, que emergem em algumas forças políticas, burguesas e oportunistas, com vista à restrição da soberania de alguns dos estados-membros, especialmente dos que têm uma posição intermédia dentro do sistema imperialista, aqueles que aderiram ou estão em fase de adesão ao Mecanismo de Apoio EU-FMI-BCE, etc. O que tem de ficar claro é que nenhum governo burguês é arrastado involuntariamente para estas ou outras opções dentro da União Europeia. A integração na "aliança predatória" imperialista é uma opção estratégica da burguesia nos estados-membros, de modo a proteger o seu domínio económico e financeiro, o seu poder e perpetuar o sistema capitalista explorador.

Profunda Crise Capitalista

Os desenvolvimentos políticos radicais na UE e na Grécia, que aumentaram com a coligação governamental entre os dois maiores partidos políticos do capital - social-democratas e liberais - e o partido de extrema-direita LAOS, baseiam-se na profunda crise capitalista e nos crescentes impasses que a burguesia e os seus partidos enfrentam, na Grécia, na União Europeia e mundialmente, nos seus esforços para gerir a crise de uma forma ordeira em favor do capital.

Este governo foi formado para servir e para impor os interesses do capital grego e de outros estados-membros da União Europeia e, em condições de crise e competição, lidar com agitações na UE, na Eurozona e com as dificuldades da classe burguesa na Grécia.

A sua parceria a nível governamental revela o seu receio face à organização e força da população.

O Partido Comunista da Grécia (KKE) apela à classe trabalhadora e às classes populares para que dificultem a acção deste governo através da sua luta; para lhe encurtarem o tempo de acção antes que tomem novas acções definitivas; para impor eleições; para enfraquecer o governo burguês uma vez mais. Para alterar a correlação de forças, aliem -se ao Partido Comunista Grego num forte contra-ataque popular. O Partido Comunista da Grécia, através das suas actividades, procura ajudar tanto quanto possível para que um número crescente de pessoas que sofrem ponham de lado todo o medo, insegurança, hesitações, de modo a que compreendam que não existe alternativa senão o contra-ataque, a rotura e a subversão. O desenvolvimento e a intensificação da luta de classes por uma mudança radical, pela prosperidade social das populações, pelos trabalhadores - o poder popular e a economia são o único caminho.

Os desenvolvimentos mostram com maior intensidade o conflito entre as duas vias de desenvolvimento da sociedade grega, e tornam a proposta do KKE ao povo mais premente: Saída da UE com poder popular que cancele toda a dívida, que socialize os meios de produção e, com um planeamento central e controlo popular e operário, coloque a riqueza produzida ao serviço das necessidades da população, ao serviço dos que a produzem, ao passo que os capitalistas a roubam. O dilema é: ou com o povo, ou com os monopólios. Não existe uma terceira via. Apenas o movimento laboral e a sua aliança com os trabalhadores por conta própria e os pequenos agricultores, pode fazer frente à crise a favor do povo e pode salvar o povo da pobreza e da humilhação, lutar pelo derrube do poder dos monopólios.

A vida e os desenvolvimentos actuais enfatizam, mais do que nunca, a necessidade da luta contra o imperialismo e os monopólios se ligar com a luta por um poder popular, pela denúncia das ligações a uniões imperialistas, que se mostra um pré-requisito essencial, para que se satisfaçam as necessidades populares.

À medida que o movimento laboral e popular nos estados europeus for crescendo, com uma orientação anti-monopolista, anti uniões imperialistas e governos nacionais, conforme for levando vantagem nas roturas causadas pelas contradições imperialistas, irá enfraquecendo o poder político de todos os governos burgueses, mas também da burguesia como um todo e aumentará o potencial para o seu derrube ao nível do poder.

Uma mudança subversiva na Grécia terá - mais depressa do que se imagina - uma dimensão pan-europeia e será a melhor e maior contribuição para um movimento pan-europeu laboral-popular que ataque os interesses servidos pela UE e a própria UE.

** Este artigo foi escrito no final de 2011, pelo que não faz ainda referência ao último "acordo" imposto pela UE e FMI à Grécia.

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