Rogério Fernandes (1933-2010)

Nº 1711 - Primavera 2010
Publicado em Memória por: Redaccao Seara Nova (autor)

No dia 4 de Março de 2010, Rogério Fernandes, antigo director de a Seara Nova faleceu. Natural de Lisboa (1933), foi na Universidade da capital, concretamente na sua Faculdade de Letras que se licenciou em Ciências Histórico-Filosóficas, tornando-se professor do Ensino Técnico e do Ensino Secundário Particular. Em 1957 regressa à Faculdade de Letras como segundo assistente de Filosofia e, mais tarde, foi professor do Instituto Superior de Serviço Social, em Sociologia da Educação, e do Instituto Superior de Psicologia Aplicada.

Proibido por Salazar de leccionar, Rogério Fernandes ingressa no jornalismo, na revista Seara Nova, em 1962, tendo sido seu sub-director - Augusto Casimiro era o director - e depois director e colabora ainda na revista Vértice. Na Seara Nova permanece até 1967, ano em que é convidado para a redacção do vespertino A Capital, onde coordena a secção de Educação e mais tarde se torna chefe de redacção.

Em 1969, edita o seu livro de contos "Três tiros e uma Muralha", mas na sua bibliofrafia contam-se inúmeros ensaios e textos como o da intervenção proferida no Congresso da Oposição Democrática de Aveiro, "A Batalha Socialista pela Democratização do Ensino", publicado pela Seara Nova.

Depois do 25 de Abril de 1974 adere ao Partido Comunista Português e nessa qualidade é eleito deputado à Assembleia da República na III Legislatura ( 1983-1985) e na VI Legislatura (1991-1995). Entre Agosto de 1974 e Agosto de 1976, a convite do então ministro Vitorino Magalhães Godinho foi director-geral do Ensino Básico e a ele se devem importantes reformas nesta área como o fim dos três turnos de aulas nas escolas do interior do País. Saneado pelo governo do Partido Socialista, é-lhe atribuído mais tarde o cargo de inspector-geral da Junta Nacional de Educação (hoje, Inspecção Geral do Ensino) de onde sai para leccionar a disciplina de História e Ciências da Educação na Universidade de Lisboa e colabora com a Fundação Calouste Gulbenkian. Concorre depois para o lugar de professor associado na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, onde termina a sua carreira como Professor Catedrático.

Uma das suas últimas intervenções públicas decorreu na Universidade Popular do Porto, num encontro promovido pela Seara Nova, na qual, enquanto sub-director e director, teve um ímpar papel dinamizador não só como redactor, mas também na chamada de muitos jovens intelectuais progressistas às páginas da revista.

Autor de mais de uma centena de textos, Rogério Fernandes foi um distinto professor e pedagogo. Nesta hora difícil, o conselho redactorial de a Seara Nova manifesta a sua solidariedade à família enlutada e recorda o amigo seareiro.

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